quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A maternidade, o mercado de trabalho e o machismo

Quanto tempo não escrevo por aqui! Eu achava que escrever no blog dava trabalho, até começar a fazer vídeo rs... Hoje já acho MOLEZINHA escrever.

Bem, hoje eu quero falar sobre o machismo que naturalmente já ronda as mulheres, mas parece que se potencializa ao infinito com relação às mães.

Muitos já sabem, alguns não, e quero ainda fazer um post e um vídeo exclusivamente sobre isso, mas eu dei um tempo na minha carreira pelo meu filho e por mim. Tive quatro meses de licença maternidade, mais férias, e não estava preparada para voltar ao trabalho e passar longas 12h por dia longe do meu bebê, que mal virava de bruços ainda. Por isso, pedi uma licença sem vencimentos de mais alguns meses, e atualmente ainda gozo deste período.

Dia desses eu estava conversando com um amigo muito querido da empresa por WhatsApp e ele me perguntou se eu retornarei ou não. Disse que sim, claro, quero muito voltar a trabalhar (se o mercado e a crise permitirem, claro). E ele sutilmente me aconselhou a já ir "mudando a chave" de mãe para mulher trabalhadora.

Fiquei pensando nesse toque, indireta, ou seja lá o que foi de fato. Temos intimidade e amizade o suficiente para saber que ele quer o meu bem, e não sei ao certo se ele estava reproduzindo um comportamento machista ou se ele me aconselhava porque "o mundo é assim desde que o mundo é mundo, então é melhor você se adaptar". Fato é que a crítica velada foi às minhas postagens do Facebook e à forma como "mudei depois que virei mãe".

Nesse momento, dei uma varredura geral na minha timeline do Facebook. E o que encontrei já era o esperado: sim, há meses eu só posto sobre maternidade, amamentação, criação com apego. Há meses as poucas fotos que eu posto são com meu filho, inclusive minha foto de perfil era amamentando meu bebê. Particularmente acho mais interessante que as discussões políticas ou futebolísticas que, nos dias de hoje, não agregam nada, em sua maioria só incitam o ódio.

Sim, eu sou mãe. E eu não deveria me constranger ao mostrar isso em público.
Tem gente que apoia o Bolsonaro em público sem o menor constrangimento.

É aí que entra o pensamento comum, injusto, machista, escroto: Quem levará a sério no escritório uma mulher que assume publicamente seu papel de mãe, ainda que ela esteja de licença? Afinal, a funcionária mãe é quem precisa sair mais cedo para buscar seu filho na creche. É ela quem se ausenta quando o filho tá doente.

Mas isso é de graça? Não, não é! No meu caso, conto com um banco de horas. E se eu me ausentar, simplesmente serei descontada ou terei que compensar as horas. E uma mãe compensando horas, na maioria das vezes, é muito mais penoso que um pai. Porque muitas mães chegam em casa e precisam dar conta da comida, da roupa, da casa. Muitas contam com um marido-zero-à-esquerda em casa, ou são mães solteiras. Então por que as pessoas - mais especificamente os homens - se incomodam tanto com o fato de trabalhar com uma mãe? Por que uma mãe precisa constantemente provar sua competência perante os homens em suas empresas, para continuar na batalha? É cansativo, eu diria exaustivo, ter que provar dia após dia que você merece a confiança dos seus superiores, por ser mulher, por ser mãe. É como se a mãe passasse uma imagem de fragilidade, quando na verdade, o que acontece na prática é justamente o oposto.

Eu gostaria muito de mudar essa percepção. Venho dizer que uma mãe é um ser que automaticamente aprende - muitas vezes na marra - a equilibrar 50 pratos ao mesmo tempo. Uma mãe tem responsabilidade estampada no rosto. Tem empatia aflorada. Se você precisa que uma tarefa seja cumprida com rigor, em tempo recorde, chame uma mãe para fazê-la. Ela está acostumada a tocar muitos projetos simultâneos, com seriedade e qualidade. E, principalmente, com amor.

A mãe lida melhor do que ninguém com a pressão. Melhor do que qualquer homem. Deixou de ser aquela menina ingênua e virou leoa. A mãe é a mulher que aprendeu a brigar, a defender sua equipe com unhas e dentes. A mãe é pratica, por necessidade, por instinto. Sem deixar de ser perfeccionista.

E aí no meio desse papo todo eu me lembrei de um colega, homem, que há uns dois ou três anos tirou também uma licença sem vencimentos por um ano para viajar o mundo. Um ano sabático. Ninguém questionou nada sobre sua vida, ou o aconselhou a "virar a chave" para voltar ao trabalho. Ele não passou a ter sua capacidade técnica questionada porque tirou um ano de licença para viajar sem rumo por aí. Pelo contrario: quando voltou ao batente, foi super bem recebido por pessoas extremamente interessadas no que ele havia feito ao longo desse ano.

Já eu, bem... Eu sou a mulher que virou mãe e decidiu mudar a vida por isso. Sou a mulher fraca que decidiu "viver pro filho" e se esquecer do mundo. Não sirvo pra minha profissão (majoritariamente masculina) porque preferi, por alguns meses, trocar fralda ao invés de engrandecer minha carreira, solidificada com muito suor.

E eu pergunto: pode uma viagem ser mais importante do que a missão de criar um filho? Não quero desmerecer o ano sabático do meu colega mas por que tentam a toda hora desmerecer e diminuir minha missão de mãe, de formadora de personalidade, de educadora de um SER HUMANO, que será o futuro do nosso mundão?

A maternidade fez de mim uma pessoa muito melhor em todos os sentidos. Como ser humano, como profissional. Como parte do nosso planeta.

Quero voltar ao mercado de trabalho, pois acho que me fará bem. Sinto falta do meu salário, dos colegas, do meu trabalho. Mas não tenho dúvidas de que o trabalho de uma mãe exclusiva é muito mais relevante pro mundo que o trabalho que eu desempenharei na minha empresa. É a formação de um cidadão e não há trabalho mais cheio de responsabilidade que esse.

Não, eu ainda não virei a chave. Por isso decidi escrever esse texto.

E me desculpem, mas acho o legado da minha licença muito mais importante que uma viagem ou que "apenas" trocar fraldas.

Pensem nisso.





segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Rapidinhas da Mãe Apegada - BB Cream

Olá, mamães vaidosas!

Outro dia estava pensando que nunca mais consegui me maquiar para sair de casa. Me maquiar virou uma atividade de luxo, só para casamentos ou eventos muito sociais. E eu, que sempre adorei me maquiar, mesmo que fosse pra ir ao shopping rapidinho, comecei a me sentir incomodada com a falta de tempo e de paciência para isso.



Bem, eu vi que na realidade eu precisava mesmo era simplificar minha necessaire. E foi quando eu descobri o BB Cream da Loreal!

"Mas Apegada, como você simplificou sua necessaire só com isso?".

Simples: sempre usei uma base ótima da MAC no dia a dia (Studio Fix). Acabamento perfeito, mas um pouco trabalhosa, precisa ser passada com pincel, espalhar bem pra não parecer vaca malhada, etc.

Com o BB Cream, espalho com a mão, passo no rosto e pronto! Disfarça até olheiras leves e moderadas, nos melhores dias posso dispensar o corretivo sem dó. Depois da base espalhada rapidamente, é só finalizar a make com um blush, um batom e um rímel pra quem preferir e pronto! Mãe moderninha indo pro shopping toda satisfeita com sua make prática e rápida.

A cobertura do BB Cream é surpreendente. Eu adquiri o da marca Loreal na Drogaria Venâncio por R$ 29,90 (achei o preço muito razoável). Ela vem em três cores: Clara, média e escura. Peça para uma atendente pingar um pouco na sua mão para você escolher o BB baseado no seu tom de pele.


BB Cream da Loreal

Espero que tenham gostado da dica. Rapidinha, mas útil e prática ;)

Rapidinhas da mãe apegada - Lenço umedecido

Há diversas opções de lenços umedecidos no mercado atualmente. E acho que a grande maioria das mães prefere os lenços da Johnson, principalmente para cuidar dos seus bebês RN.

Os lenços Johnson, na minha opinião, são os melhores. São grandes, molhadinhos na medida certa, perfume suave (sempre pego o amarelo) e sai só um de cada vez (na pressa isso é muito importante!).

Porém, o preço de um pacote com 50 lenços Johnson custa em média R$ 9,00. Por isso, me vi obrigada a testar outros lenços disponíveis no mercado.



Ganhei o Huggies verde e resolvi experimentar. Achei a consistência super estranha. Gostei do perfume (bem suave), mas achei ele seco, desmanchando na minha mão. O ponto positivo ficou por conta do sistema de abre e fecha, que possui uma melhor vedação e garante a umidade dos lenços por mais tempo.


Depois peguei uma promoção ótima de lenços Bebê Natureza na Drogaria Venâncio e resolvi testar. Quatro pacotes estavam saindo a quase R$ 18,00! Me surpreendi positivamente com esses. Molhadinhos, perfumados, limpam super bem e BARATOS. Ponto negativo: é super difícil tirar só um lenço na pressa. Quando menciono "pressa", quero falar daqueles momentos em que o Jorge está todo cagado e querendo engatinhar com o bumbum ainda todo sujo! Logo, na minha opinião, o bebê natureza peca e muito por essa questão. Quantas vezes já tirei uns quatro lenços de uma vez na pressa, desperdiçando meu rico dinheirinho.


Por fim, minha grata surpresa foi ter experimentado os lenços Looping, que vieram junto com um pacote de fraldas numa promoção. O melhor custo x benefício disparado! Um pacote desse lenço está saindo por R$ 4,90 nas Drogarias Cristal e custa uma média de R$ 5,99 nas outras farmácias.
O lenço conta com a umidade ideal, cheirinho suave, tamanho perfeito do lenço, sai apenas um de cada vez, resumindo: é quase um Johnson, porém, mais barato!

Fica então a dica para as mamães que, assim como eu, menosprezavam o Looping naquela bandeja de promoção da farmácia. Experimentem e garanto que não vão se arrepender.

Depois me digam o que acharam 😉

domingo, 15 de novembro de 2015

Meu bebê cresceu: qual a melhor solução pro banho?

Acho que toda mãe uma hora passa por essa dúvida. O bebê cresce, não fica mais tão bem na banheira, mas ao mesmo tempo ainda não fica em pé para tomar banho no box junto com você.

Existem diversas soluções para esse momento. Uma delas é dar banho no bebê de chuveiro, junto com você. Outra é procurar os ofurôs para bebês maiores, estilo BabyTub.



Eu sempre fui apaixonada pela BabyTub. Ela é bem grande, dependendo da criança, pode ser usada até 4 anos. Porém, seu preço me inviabilizava a compra (ela custa em média R$ 250,00).

Até que um dia, passeando pela Americanas, vi o cesto Multiuso de 30 litros da Arthi por R$ 36,00 e resolvi comprar para testar. Não é que deu certo?

Jorge AMOU o banho no cesto. Virou um grande ofurô e ele toma banho nele até hoje, já com quase um aninho.

Aqui cabe uma consideração: o ofurô Babytub é rígido, portanto, mais seguro que o cesto da Arthi. Porém, eu acredito que o banho do bebê é uma atividade que deve ser 100% monitorada e, por isso, embora o cesto da Arthi seja até flexível, com a supervisão de um adulto ele fica super seguro.

Além do mais, o cesto é super prático para levar em viagens. Como ele possui alças, aqui usamos como uma sacola mesmo, enfiamos os brinquedos dentro e carregamos pelas alças. Pode-se usar na laje pra um banho de sol, enfim, há mil e uma utilidades (sempre sempre SEMPRE sob a supervisão de um adulto).

Bem, fica aqui a dica de um "primo-pobre" pra tão desejada Babytub.

Atenção: existem outros modelos. O modelo mais adequado por aqui foi o de 30 litros.

Segue link do Walmart com o cesto: https://www.walmart.com.br/cesto-multiuso-com-alca-branco-arthi/2118901/pr




Jorge todo-todo tomando banho no cesto <3

O verão e... os insetos!

O verão ainda nem começou, mas seus efeitos já estão sendo sentidos. Aqui em casa a incidência de insetos aumentou muuuuito - inclusive, essa semana, entrou uma barata voadora, para o desespero dos ouvidos dos vizinhos.

Moscas, mosquitos, baratas... até aranhas (???). Em tempos de vírus novo no pedaço (zyka), é bom não arriscar.

Para o bem estar do meu lar, telefonei para algumas empresas de colocação de tela anti-mosquito em esquadria e pedi orçamentos. Infelizmente eles estavam bem acima do que eu pretendia pagar.

Foi quando minha mãe me veio com uma solução mágica: as telas mosquiteiras Fly Stop.

Essas telas são vendidas nas lojas Multicoisas (R$ 50,00) e na Casa e Vídeo (R$ 40,00), no Rio de Janeiro, e vêm em diversos tamanhos, listados abaixo. Sua fixação é através de peças de plástico e fita dupla face, nas laterais da janela, na parte interior do apartamento. A fita dupla face não rolou por aqui, então usei uma cola Cascola tradicional, e funcionou super bem. A tela possui elástico no entorno, de modo que ela fique bem justinha, bem certinha. 

Infelizmente a vedação não é 100%, pois o inseto pode ir caminhando até as beiras e encontrar um nicho para entrar. A tela feita sob medida, em esquadria, deve funcionar com perfeição. Mas a tela Fly Stop é de facílima colocação, bem mais barata (cada uma custou em média R$ 50,00), facilmente retirável para lavar e eficaz principalmente contra as baratas voadoras, pois ela forma uma barreira direta. Pro bicho entrar, só sendo muito esperto mesmo!

Disse e repito: sem dúvida as telas em esquadria são melhores, 100% eficazes e até mais bonitas. Mas achei as telas Fly Stop uma ótima solução para quem está sem grandes recursos no momento. 

Para se ter uma ideia, recebi orçamentos de tela em esquadria em uma média de R$ 1.500,00 para telar meu apartamento inteiro. Com as telas Fly Stop gastei R$ 200,00 e foi mais imediato: comprar, sair da loja e colocar. Sem precisar esperar fabricação, ficar em casa a disposição de colocadores, etc.

Espero que tenham gostado da dica e que ajude as mamães a proteger seus filhotes. :)

Seguem tamanhos disponíveis no mercado:

0,8m x 1,0m
1,2m x 1,2m
1,2m x 1,5m
1,0m x 1,5m
1,2m x 2,1m

Embalagem

Detalhe da fixação na embalagem
Detalhe do fixador com a fita dupla face

Tela instalada no meu quarto

Detalhe do fixador, já com a cola Cascola








segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Empatia é quase amor

empatia
substantivo feminino
  1. 1.
    faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).
  2. 2.
    capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
  3. 3.
    capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende etc.


Vulgo "capacidade de se botar no lugar de outra pessoa", a empatia é artigo raro na humanidade, em especial no universo da maternidade. 

Sabemos que ser mãe não é nada fácil e, por vezes, nos pegamos desabafando com amigas sobre coisas que nos incomodam. Feliz aquela mãe que encontra uma escuta atenta e empática - o que, infelizmente, não é a maioria. 



Vamos à lista de situações comuns:


Situação 1 - O MARIDO

Mãe A: "Não sei mais o que eu faço para que meu marido compreenda que preciso de sua ajuda para cuidar do nosso filho, manter a casa em ordem..."

Mãe B: "Nossa, como eu sou sortuda, meu marido me ajuda em tudo!"



Situação 2 - A COMIDA

Mãe A: "Meu filho não come nada. Já tentei de tudo e nada funciona. To ficando desesperada!"

Mãe B: "Gente, se deixar, meu filho come até as paredes! Sabe que ontem ele bateu um pratão e ainda repetiu?!"



Situação 3 - O PUERPÉRIO

Mãe A: "Meu filho tem chorado demais de cólica. Não sei mais o que fazer. É muito sofrido vê-lo chorar tanto..."

Mãe B: "Meu filho é tão bonzinho! Não tem cólica, só ri, nunca chora."



De onde surgiu a ideia de falar sobre isso? Depois de ver uma menina fazer um desabafo sobre um marido super acomodado em um grande grupo de mães do Facebook, e me deparar com uma resposta idêntica à Mãe B da situação 1. Sim, as mães B de fato existem, o que é bizarro. A resposta da menina foi exatamente isso e ponto: uma mãe elevando seu ego diante de uma mãe destruída, cansada e decepcionada.

Poderia citar outras dez mil situações comuns, mas vamos direto ao que interessa: não, NÃO É LEGAL você ser a Mãe B. Fico muito contente mesmo pelo seu marido perfeito, pelo seu filho tranquilo e comilão, de verdade. Mas vamos ser um pouco mais sensíveis e empáticas?

Há quem diga: "Nossa, que frescura! Então eu não posso ser feliz só porque uma mãe está triste?". Claro que pode. Não só pode, como deve. Gente feliz é tudo de bom, emana boas energias. Mas quando uma mãe te procurar para desabafar, seja sensível ao seu problema. Ela não precisa saber naquele momento o quão perfeita é sua vida, pois falar da sua vida só mostra que você não esteve atenta ao seu desabafo. Ela precisa que você a ouça, que diga que a compreende, até que procure ajudá-la a encontrar alguma solução para o que ela está vivendo. É claro que ela fica feliz com sua felicidade, mas isso não irá ajudá-la neste momento. Dependendo do caso, ela ficará se perguntando o que fez de errado, ou aonde falhou para que tudo desse errado com ela. E chega de culpa na maternidade, não é mesmo? Não precisamos mais dela.

Sei que muitas vezes a falta de empatia surge de uma ingenuidade. Mas acho importante que mesmo essas mamães leiam esse texto e aprendam o significado dessa palavra tão em falta hoje em dia.





MAS CALMA, O OPOSTO TAMBÉM NÃO É LEGAL

Sim, o oposto também não é legal. Se uma mãe te procura para desabafar sobre seu problema, tentar mostrar que este é infinitamente menor que o seu, não ajuda. Menosprezar o sentimento de uma mãe não irá diminui-lo. Apenas fará com que ela o guarde para si, ou por não aguentar mais ver você competindo desgraça, ou por se sentir mal em estar reclamando de algo que, dada a situação, já nem parece mais tão grave assim - embora, pra ela, ainda seja.



A ESCUTA EMPÁTICA

Ocorre que a escuta empática está em falta nas conversas em geral. Muitas vezes vejo rolar uma queda de braço em rodas de conversa, onde todas querem desabafar, mas ninguém quer escutar. Quando escutam, ou se vangloriam de suas vidas perfeitas, ou preferem "disputar desgraça".

Então proponho uma coisa: Quando alguém te procurar para desabafar, pense que você foi escolhida para ouvir aquela história. Pense que você tem uma missão atrelada à escuta, a missão de levar conforto emocional para aquela mãe. Á ela não interessa que sua vida seja muito mais ou muito menos interessante que a dela. Se não tiver nada para dizer, diga apenas "Eu te entendo, e estou aqui por você". Simples, direto, efetivo.

Se você precisar desabafar sobre qualquer aspecto de sua vida, haverá espaço para isso também. É importante falar, mas também é muito importante ouvir. Compreender. Refletir de fato sobre o que está sendo dito. Se concentrar. ESTAR na conversa.


Vamos trabalhar mais a empatia? Afinal, empatia é quase amor :)

Meu recado para as mães de um recém nascido

Ultimamente muitas meninas têm me procurado para desabafar e procurar a resposta para a questão do choro dos bebês no seu primeiro trimestre de vida. Por isso, decidi escrever um texto sobre a minha experiência neste período, para acalmar o coração das mamães que vivem essa fase atualmente.



SERÁ QUE ELE CHORA DE FOME?

Vou contar aqui uma historinha. Eu fui mãe praticamente junto com outras duas amigas e nós, como três boas mamães de primeira viagem, conversávamos muito sobre o comportamento de nossos bebês. Com isso, descobri que, até os três meses de idade, só o Jorge, chorava pra tomar banho. Só o Jorge chorava pra trocar a fralda. Só o Jorge chorava pra pegar sol. Só o Jorge chorava pra trocar a roupa. Só o Jorge chorava pra toda e qualquer coisa que não fosse ficar pendurado nos meus peitos.

Me lembro que quando ele tinha por volta de 20 dias de vida telefonei pro pediatra (que estava em uma viagem de férias nos EUA) pedindo pelo amor de Deus alguma explicação pro choro incessante do meu filho. Após descartar fome, refluxo e APLV, o diagnóstico foi claro: cólica.

Tentei de tudo pra amenizar a cólica do meu filho, mas nada o fazia desgrudar do peito. Chamei uma especialista em shantala para me ensinar a técnica, passava o dia fazendo compressa de água quente na barriguinha, testei quase todas as receitas de vó, e nada.

As consultas mostravam que ele ganhava peso como um touro! Mas o grude continuava.

É claro que nessa época eu consultava minhas amigas e perguntava se os bebês delas também tinham esse grude, mas a resposta foi negativa. Por que então só o meu bebê chorava tanto?

Foi aí que pesquisei mais sobre a teoria da extero-gestação (ou o quarto trimestre da gestação). Resumidamente falando, a teoria descreve a sensação de estranhamento que o bebê tem do mundo e como ele se sente seguro com a mãe. Ele se pendura no peito buscando um conforto, segurança, e não necessariamente tem fome. Para quem quiser ler mais sobre a teoria, indico o texto do blog do GVA: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/teoria-da-extero-gestacao.html


Bem, dito isso, fica claro que o meu bebê estava vivendo uma fase normal para sua idade. Sei que é exaustivo para a mãe, desesperador às vezes, mas é uma fase. Chamamos de cólica, fome, mas na realidade tudo que nosso bebê quer é o nosso calor, o nosso conforto. Alguns bebês encaram relativamente bem o encontro com nosso mundo. Jorge certamente não foi um desses.

Eis no auge desse estresse, surgem os pitacos, até bem intencionados, mas mal informados:

"Mas será que esse menino não está com fome?"
"Por que você não experimenta dar uma mamadeira pra ver se ele passa a dormir a noite toda?"
"Isso é fome, o seu leite não está sustentando..."

Simplesmente pare. Não é nada disso. Nem todo choro é fome! Seu bebê, até bem pouco tempo atrás, vivia no conforto do seu útero, o único som que ele conhecia praticamente era o da sua voz. Como você espera que ele encare nosso mundo sorridente de uma hora para a outra?

Muitas mães que, até então, amamentavam exclusivamente o bebê no seio, neste momento dão uma mamadeira e notam que o choro cessa e a criança dorme. É aí então que elas têm a certeza de que o bebê chorava de fome e encerram sua amamentação exclusiva. Ocorre que, se havia ganho de peso adequado, você chegou a conclusão errada. Seu bebê não chorava de fome só porque se calou ao receber a mamadeira. Ele simplesmente dormiu pois ele já estava satisfeito com seu leite e ficou empanturrado com a mamadeira.

Se você deseja amamentar exclusivamente e seu bebê ganha peso adequadamente, esqueça o complemento e suas inseguranças quanto ao choro do seu bebê. Fique bastante com ele no peito, no colo. Já tive algumas maratonas de 6h com Jorge direto no peito, só alternando peito. Do direito pro esquerdo, do esquerdo pro direito e assim sucessivamente.

Ah! E neste ponto também acho importante citar uma coisa: não pense que seu leite acabou só porque seu bebê mamou os dois seios e eles estão murchos. O seio não é estoque, ele é fábrica! 80% do leite que seu bebê mama é produzido durante a mamada, de modo que o leite é, teoricamente, infinito. Não fosse assim, mulheres de seios pequenos não conseguiriam amamentar seus bebês, não é mesmo? Então esqueçam o mito do leite que acaba quando a mama está murcha.



ADIE AS VISITAS

Eu não tive condições de receber ninguém até Jorge completar três meses de vida. Minhas melhores amigas o viram na maternidade, e depois só quando essa fase mais conturbada passou. Sem estresse nem cerimônias.

Durante o período só recebi os familiares mais próximos e olhe lá. Eu simplesmente não convidava ninguém, e cheguei a negar a visita de uma tia super querida, pois eu não estava em condições.

Peça para o papai ajudar você nessa tarefa de adiar as visitas, para que você não tenha que lidar com a eventual insatisfação da pretensa visita. A regra número um é: não receba ninguém em casa se você não estiver em condições. Você e seu filho dependem de um ambiente tranquilo e harmonioso pra saírem bem desta fase.



MEU BEBÊ SÓ DORME NO MEU COLO. SERÁ QUE VAI FICAR MIMADO?

Outra coisa que desespera as mamães nessa fase é o sono do bebê, que ainda é super leve, e muitos só conseguem cochilar no colo da mãe. Bem, aqui cabem algumas observações.

A primeira delas é: ignore aquele tio mala que diz que seu bebê vai ficar mal acostumado se só ficar no colo. Isso não é nem um pouco verdade. Até os três meses de vida não existe manha. O bebê ainda nem se situou no mundo, imagine fazer manha! Pode ignorar os pitacos, seguir seus instintos e dar bastante colo. Lembre-se sempre: VOCÊ é a mãe. Por mais inexperiente que seja - ou que tentem te fazer sentir - só você conhece seu filho profundamente. Foi você quem o carregou por nove meses, é a você que ele reconhece como porto seguro, então você é quem decide o que é melhor para vocês dois. Ok? Botar um pouquinho de limite nos mais atirados não fará de você uma mamãe mal educada.

A segunda observação é: o sono de um bebê recém nascido carece de dois itens primordiais. Investimento e rendição. Isso mesmo. Você, mamãe, precisa investir no sono do seu filho. Precisa fazer de tudo e mais um pouco para que ele cochile, nem que você precise passar o dia inteiro com ele no colo. Sabe por que? Porque um recém nascido com sono fica ainda mais irritado, o que vai te deixar ainda mais estressada. E por que eu citei a rendição? Porque a palavra é essa mesma, se render. Seu filho só dorme com você deitada ao lado dele na cama? Faça isso. Deite por 1h ao lado dele na cama. Faça ele descansar. Se renda. Você vai ver que isso vai melhorar muito as coisas.

Eu demorei bastante a entender que meu filho precisava dormir. Na minha inquietude de manter a casa arrumada e a comida em dia, eu não me permitia investir e me render ao sono dele. Quando aprendi essas duas palavrinhas chaves, minha vida mudou. Eu investia e me rendia por uma hora ao lado dele e tinha duas horas com menos choro depois.

Se não desse pra fazer a comida, eu pedia fora. Se não desse pra arrumar a mesa da sala, paciência. Eu passei a ficar muito menos estressada quando compreendi que meu filho precisava dormir, mas precisava de mim para essa tarefa. Enquanto eu pusesse mil e uma barreiras neste caminho, ele não descansaria e eu sofreria as consequências.

Ainda sobre o sono do bebê,  compartilho aqui um link super especial que me fez entender que o meu filho precisava realmente descansar. O link trata sobre o EFEITO VULCÂNICO do sono e explica direitinho a importância das sonecas para o recém nascido - e para a mamãe dele.



USE E ABUSE DO SLING

O sling foi adquirido quando Jorge tinha vinte dias de vida. Comprei um wrap sling 100% algodão. Era auge do verão, mas usava mesmo assim. Ligava o ar condicionado e ficava com ele no sling para poder comer algo, por exemplo. Sem dúvida o sling e continua sendo um super aliado. Recomendo fortemente!



Dito isso, espero ter acalmado as mamães do primeiro trimestre de vida do bebê - ou do quarto trimestre da gestação. Quando Jorge fez três meses, tudo melhorou como um passe de mágica. Ele começou a interagir mais com o mundo e seu medo do desconhecido foi diminuindo. Conseguia focar mais nos brinquedos, nas cores, até nas minhas palavras. Foi ficando mais independente dia após dia, foi dormindo mais profundo. Foi espaçando as mamadas e ficando mais confiante.

Sei que fazemos muitos planos para a educação de nossos filhos. Sempre achei um absurdo o neném dormir com os pais na cama, mas eis que a cama compartilhada salvou e ainda salva minhas noites. Não teorizar muito faria muito bem às gestantes. Isso reduziria imensamente a quantidade de mães frustradas e ansiosas, que torcem para que os três primeiros meses passem logo e acabam não aproveitando esse período tão íntimo e delicioso. Conheça seu filho antes de teorizar. Esse é o principal recado que eu daria às gestantes.


A moral dessa história toda é: tudo passa! Sei que é repetitivo, pois todos dizem isso, mas é a maior verdade! E ficam as saudades da época de carrapatinho <3


Eu e Jorge, meu carrapatinho
Investimento e rendição <3
Namorando um pouquinho com mamãe no sling



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Pomadas de Lanolina - Por que não usar?

Quem amamenta ou amamentou, certamente já ouviu falar das pomadas de Lanolina existentes no mercado. A mais famosa delas, americana e disponível hoje em dia no mercado brasileiro, foi um grande catalizador para minha quase desistência de amamentar.

Há uma lenda urbana de que as pomadas de Lanolina ajudam a cicatrizar o mamilo ferido. Eu vos digo com toda certeza do mundo que isso não é verdade.

Essas pomadas não são cicatrizantes, elas funcionam como hidratantes naturais, que podem ser ingeridos pelo bebê. Não sendo cicatrizante, em nada ela irá te ajudar, exceto pela sensação de frescor ao passá-la no mamilo ferido após as mamadas e pela tranquilidade de não precisar retirá-la antes da mamada.

Ocorre que, além delas não ajudarem, acabam prejudicando a pega que já está errada, transformando tudo em uma bela bola de neve.

"Ué, não entendi".

Eu explico: se seu mamilo está ferido e a possibilidade de fungo está descartada, a pega do bebê no seu seio está errada. Ele não está abocanhando a auréola conforme deveria e, provavelmente, está mamando somente no bico. Também provavelmente você precisa esvaziar um pouco mais o seio e amolecer a auréola (de modo que ele consiga abocanhar a maior parte inferior da auréola). Se, após as mamadas, você usar essa pomada de lanolina, seu seio ficará escorregadio, de modo que a boquinha do seu bebê tornará a escorregar para o bico na próxima mamada e, assim, teoricamente, seu mamilo jamais irá sarar, iniciando a tal bola de neve que escrevi ali em cima.

Abandone esse conceito de pomada de lanolina. Sei o quanto é refrescante passá-la no mamilo ferido após as mamadas, mas ela só fará piorar ainda mais sua dor, pois aumentará a dificuldade do seu bebê em acertar a pega. Não são poucos os relatos que leio em grupos de mães no facebook de frustrações com a pomada. "Estou usando mas não está adiantando". Claro que não está adiantando, pelo contrário, a tendência é piorar ainda mais.

"Mas eu usei e me ajudou muito" - dirá a sua amiga. Me desculpe, mas não foi a pomada que ajudou, e sim, o neném que passou a pegar o seio corretamente. Posso garantir que a pomada de lanolina em nada ajudou nesse processo. Palmas para o neném que, apesar de mamar em um seio escorregadio, conseguiu ainda assim acertar a pega.

Além do mais, sua amiga que recomenda e defende com unhas e dentes a pomada talvez não saiba que seu bebê demorou para acertar a pega justamente por conta dela. A pomada funciona como um morde e assopra, sabe? Mas você pensa que quem está mordendo é o bebê, e não culpa a pomada em momento algum - a não ser que busque orientação adequada.

Quer uma solução cicatrizante e, o melhor, GRÁTIS? Passe seu próprio leite nos mamilos após cada mamada. Deixe secar naturalmente, fique sem sutiã, dispense as visitas. Se possível, faça um rasgo em uma camisa velha na região dos mamilos e, com essa camisa, pegue sol neles 15 minutos ao dia pela manhã e pela tarde. A combinação LM + SOL é milagrosa, posso garantir. A natureza é tão perfeita que fez o leite materno com poder cicatrizante também.

Além disso tudo, essas pomadas ainda podem causar entupimento de ducto, o que dói pra caramba.

Por esses motivos, as pomadas são contra indicadas pelos Bancos de Leite.

Se você está com dor, procure o banco de leite mais próximo de sua região. Aqui no Rio de Janeiro, eu fui e recomendo o Banco de Leite do Fernandes Figueira. Vale muito a pena, e eu descrevi minha ida ao BLH do IFF no meu relato completo de amamentação AQUI.

Também sempre indico os textos do GVA - Grupo Virtual de amamentação. Eles têm um grupo no Facebook (aqui) e um blog cheio de textos riquíssimos em informações de aleitamento (aqui o texto sobre correção de pega).

Não se deixe levar por apelos comerciais ou pelas dicas caseiras daquela sua amiga ou vizinha - super bem intencionada, mas mal informada. Não sacrifique você e sua amamentação com a desinformação.

Compartilhe esse texto com as amigas!

Um beijo da Mãe Apegada, que também passou por isso. ;)

Semana Mundial de Aleitamento Materno - e as dificuldades de amamentar

Esta semana estamos vivendo a Semana Mundial de Aleitamento Materno. O período reforça a importância do leite materno como alimento exclusivo até o sexto mês de vida do bebê e como parte alimentar até, no mínimo, os dois anos de idade do bebê.

Neste período vemos fotos lindas nas redes de mães que puderam / conseguiram amamentar seus pimpolhos, mas ainda pouco se fala das dificuldades encontradas por outras mães ao amamentar.

Todos sabemos que amamentar é um ato de amor, mas eu não imaginava o quanto. Meu início com o Jorge foi muito, mas muito doloroso - consequentemente estressante, desgastante e frustrante. Mas não vou me repetir e expor aqui todas as dificuldades que tivemos. Leia AQUI meu relato completo de amamentação.

Minha ideia hoje é escrever sobre como mudar esse cenário, que tanto frustra as novas mamães. Como se já não bastassem os hormônios a mil, o cansaço de lidar com um recém nascido, toda pressão da família, casa cheia de visitas, ainda precisamos lidar com a frustração de não conseguir fazer algo teoricamente tão simples e natural, que é amamentar.

Bem, minha saga começou na própria maternidade (Perinatal de Laranjeiras). Meus seios começaram a sangrar lá mesmo, enquanto eu disfarçava a dor com um sorriso no rosto para receber as visitas. Conforme vocês podem ler no relato completo, as enfermeiras pouco ajudavam. Na realidade, pareciam mais enroladas que eu. Uma delas foi diretamente responsável pelo sangramento do meu seio direito, ao beliscar meu mamilo com força e brutalidade para fazer meu filho abocanhá-lo. Minha irmã, vendo aquilo, ficou completamente horrorizada.

Saí da maternidade extremamente frustrada e preocupada, pois não queria mais amamentar meu filho. A dor superava qualquer dor que eu já havia sentido na vida. Minha irmã, que sofreu igualmente e teve que aguentar essa dor por meses, me dizia que eu devia insistir pois, uma hora, meu mamilo iria "calejar" e a dor cessaria. Vale dizer que ela teve sua filha na Casa de Saúde São José, também uma maternidade de ponta, mas com uma enfermagem igualmente inábil à da Perinatal no quesito amamentação.

No quinto dia de vida do meu filho, eu não quis mais passar por aquilo. Fui ao Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira e milagrosamente resolvi o meu problema!

O que eu quero dizer com isso tudo? Que eu sonho mesmo é com o dia em que as equipes de enfermagem das maternidades de ponta farão um curso de reciclagem com as enfermeiras do Fernandes Figueira. Eu tive a chance de correr atrás, mas muitas mulheres não sabem da possibilidade de pedir ajuda profissional. Conseguem calcular quantas amamentações foram interrompidas devido ao despreparo das equipes de enfermagem das nossas maternidades? Se desde a primeira mamada eu tivesse sido bem orientada, meu puerpério teria sido muito mais leve. Já vi inúmeras mulheres desistirem de amamentar ou partirem pra soluções artificiais, que mais atrapalhavam do que ajudavam (como o bico de silicone, por exemplo). Com a desistência, além do bebê deixar de mamar o leite materno, a mãe ainda precisa lidar com a culpa, a frustração e o julgamento de terceiros. Muitas vivem anos frustradas por não terem amamentado seus filhos e se culpam quando, na realidade, deveriam culpar a péssima estrutura de enfermagem de lactário disponível nas maternidades.

Diariamente leio em grupos de mães que participo no Facebook relatos de mães desesperadas com a dor da pega errada ao amamentar. Muitas delas, assim como eu e minha irmã, não sabem que essa dor não deve ser encarada como algo normal, e que é possível pedir ajuda e não passar por ela. É muito difícil transpor essa barreira do "doer é normal, aguenta firme que uma hora passa", e me desculpem, do jeito que Jorge mamava com força, aquela dor me faria perder os mamilos! Uma hora a dor ia passar sim, pois a boca do neném vai crescendo e ele sozinho vai aprendendo a corrigir a pega, mas pera lá, eu não aguentaria mais uma mamada sequer com aquela dor. E agora o pior de tudo: vejo muitas mães com a melhor das intenções tentando ajudar as outras indicando pomadas famosas, que deviam ser abolidas do mercado (leia AQUI os motivos de contra-indicação de pomadas de Lanolina). Ou indicando casca de fruta, e as mais diversas receitas caseiras para acabar com a dor. Por favor, mamães, não façam mais isso. Se está doendo, procure ajuda profissional. Aqui no Rio de Janeiro temos o Banco de Leite do IFF, do Antônio Pedro, do Pedro Ernesto, do Carmela Dutra. Todos públicos, de graça. Basta se informar e correr atrás. Ainda no Facebook podemos contar também com a ajuda das moderadoras do Grupo Virtual de Amamentação (GVA). Elas me ajudaram demais!

Repito: eu gostaria imensamente que todas as mulheres tivessem acesso a informação, de qualidade acima de tudo. Acesso a ajuda profissional de qualidade nas maternidades, ainda nos primeiros contatos entre a mãe e o bebê. Minha dificuldade foi acertar a pega, mas conversando com amigas, tive contato com inúmeras outras questões que podem ocorrer nesse processo de amamentação e que as maternidades foram inábeis em lidar. Algumas delas tiveram acesso aos Bancos de Leite externos, outras, infelizmente, nem sabiam que eles existiam.

Então aproveitem a Semana Mundial de Aleitamento Materno e compartilhem esse texto com suas amigas mamães, grávidas ou tentantes. Se você está tendo qualquer problema com a amamentação e tem vontade de amamentar, busque ajuda, é fundamental e está acessível a todas.

Acima de tudo, comemorem a semana, mas saibam que nem só de Leite Materno vive um bebê. Uma "mãe de mamadeira" é tão mãe quanto uma "mãe de peito". Amamentar é sim muito importante, sem dúvida um ato de amor e doação. Mas lembre-se que o tempo passa, os nenéns desmamam e há coisas ainda muito mais desafiadoras nesse caminho lindo e ao mesmo tempo cheio de percalços que é a maternidade.


Diploma de Amamentação gentilmente cedido pelo GVA


Eu e Jorge no nosso Mamasutra

sábado, 18 de julho de 2015

Slings, Cangurus e Babywearing

Quem me conhece sabe que sou fã do sling. Esse "pedaço de pano" me ajudou e ajuda muito a executar tarefas diárias básicas sem ter que negar colo ao meu bebê (pois negar colo a ele simplesmente não é uma possibilidade por aqui). 

Por isso hoje resolvi escrever um pouco sobre esse aparato que está em alta.


A lógica dos slingeiros :)




Por que o sling e não o canguru? 

O canguru tradicional deixa o neném pendurado pela virilha, podendo causar inflamações e displasia. Seu uso prolongado pode causar sérios danos ao neném. 

Já o sling, quando utilizado corretamente, deixa o neném, desde recém nascido, em posição ergonômica, fisiológica, confortável e segura. Existem alguns tecidos indicados para o sling. O meu primeiro foi o wrap sling, 100% algodão e comprei pela internet. Chegou super rápido e uso desde que meu filho tem 20 dias de vida. Isso foi ótimo pois hoje em dia ele é super adaptado e não tenho dificuldade alguma! Alguns bebês, se não iniciados bem cedo no sling, podem estranhar e não aceitar quando maiorezinhos. 
Preciso avisar: Usar o wrap sling no verão é bem calorento. Não tem como negar. Por isso algumas fornecedoras vendem o wrap sling verãozao, em um tecido todo furadinho. Porém, já ouvi dizer que esse tecido não é seguro, pois possui um grau elevado de elasticidade. 
Bem, minha sugestão é: deseja adquirir um sling? Entre no grupo Slingando aqui no Facebook. As meninas ajudam muito! 

Depois do wrap, adquiri um pouch sling, em tecido dryfit e de estampa lisa, para ser uma opção mais social. Foi um ótimo investimento, pois ele não compromete em nada a elegância da ocasião e meu filho ama. É super prático, leve, fácil de carregar pros lugares, fresco. Uma mão na roda pra quem quer dispensar os 5m de pano do wrap sling. Mas atenção:  Esse tipo de sling só é aconselhável quando o bebê já senta.



Jorge dormindo no pouch sling, junto com a mamãe, madrinha de um casamento




E uma outra opção (a melhor, na minha opinião) seria o Ergobaby. O Ergobaby tem a praticidade do canguru, com o conforto e segurança de um sling. O fator contra: seu preço. Aqui no Brasil, seu custo varia de 500 a 1000 reais. Eu comprei um usado, e foi o melhor investimento dos últimos tempos. Mas se você conhecer alguém que esteja nos EUA, pode pedir pra trazer, vende na Amazon. Super ergonômico, mantém o bebê completamente sentado e confortável. O meu modelo, por exemplo, suporta até 20kg. Ou seja, Jorge vai usar muuuuuito ainda <3


Jorge confortavelmente dormindo no Ergobaby







Ainda falando de cangurus ergonômicos, existe uma marca nacional chamada Mochilik, da Petlik Sling. Não conheço "pessoalmente", mas já ouvi falar muito bem. Custa 250 reais, e é uma ótima opção para quem não se adaptou ao sling mas não pode desembolsar uma nota pelo Ergobaby. É tão ergonômico quanto, só não parece ter as alças tão acolchoadas quanto o modelo americano, mas apresenta a mesmíssima segurança para o bebê. 











terça-feira, 14 de julho de 2015

Dez dicas para quem quer economizar - e curtir mais os filhos

Se você optou, após a maternidade, por ficar em casa e curtir um pouco mais seus pimpolhos, fique atenta a essas dicas valiosíssimas!

O primeiro passo é conhecer suas novas necessidades, demandas e disponibilidades. Assim você poderá traçar o seu novo perfil e será capaz de reconhecer onde é possível economizar e cortar gastos.


1 - Comece reduzindo a conta de celular

Se você está em casa, provavelmente tem acesso wi-fi na maior parte do tempo. Com acesso wi-fi ilimitado, você já tem 99% da comunicação que precisa - afinal, hoje em dia quase todos possuem conta em dispositivos de mensagens instantâneas como o WhatsApp ou o Messenger do facebook. O próprio WhatsApp atualmente já efetua ligações, de modo que você já não é mais tão escrava assim de inúmeros minutos de ligação ou de mensagens SMS.
Portanto, reduza seu plano de celular para um plano pré-pago. Existem ótimas promoções nas operadoras. Procure saber quais são as operadoras de celular das pessoas com quem você mais fala e migre para a mesma operadora que elas, pois costumam haver ótimos descontos para ligações de mesma operadora.


2 - Depois parta para a conta de luz

Ficando em casa naturalmente gastamos mais luz do que trabalhando na rua.

Aqui em casa passei a programar a comida do dia de modo a não precisar usar o microondas para descongelar a comida. No dia anterior desço a comida do freezer pra geladeira e depois deixo na varanda descongelando naturalmente. A papinha do neném termino de descongelar em banho-maria (minha conta de gás sempre vem no valor mínimo, então vale mais investir no gás do que na energia elétrica aqui em casa).

Peguei uma boa promoção de lâmpadas de LED e substituí quase todas as lâmpadas da casa. Valeu muito a pena, até a luminosidade da casa melhorou, mesmo com um gasto infinitamente menor.

Acumulo a roupa para ligar a máquina de lavar roupa o mínimo de vezes possível. Tento ligar a máquina com a mesma frequência que sempre liguei pois, ficando em casa, gasto menos roupa que antes, mas hoje em dia tenho as roupas do neném pra lavar. Tento compensar uma coisa com a outra.

Combato a ansiedade de "abrir a geladeira pra pensar". Além de engordar (rsrs...), abrir e fechar a geladeira toda hora também aumenta bastante o consumo de energia elétrica.

Alguns aparelhos eletrônicos, quando conectados à tomada, mesmo que desligados, continuam consumindo energia no modo stand by - como o microondas, por exemplo. Desconecte da tomada os aparelhos que não estiverem em uso no momento.

No mais, deixo janelas e portas abertas, ar circulando, menor consumo de ventiladores e ar condicionados. Meu chuveiro é elétrico, mas com a chegada do bebê não tenho tido o luxo de tomar banhos demorados, de modo que ele não é um fator que onere minha conta.

Por fim, passo as roupas todas uma vez por semana. O ferro de passar consome muita energia e o ideal é que ele seja ligado com a menor frequência possível.


3 - Renegocie contas de internet e telefone fixo

Seja sincera com o atendente e diga "estou desempregada e preciso baixar o valor dessa conta". Acredite: a maioria deles fará de tudo para te atender.
Recentemente fiz isso com minha operadora e, para a minha surpresa, descobri que meu plano havia sido descontinuado e que um plano com exatamente os mesmos benefícios estava custando nada mais nada menos que R$ 50,00 A MENOS do que eu estava pagando! Nem quis calcular quanto gastei desnecessariamente nesses últimos anos para não ficar triste... fechei o novo pacote com o novo preço - e os mesmos benefícios - e me dei por satisfeita.

Portanto, vale uma ligadinha para sua operadora. Vai que existe um pacote mais adequado às suas novas necessidades, custando metade do valor?


4 - Adquira uma SmartTV, crie uma conta no Netflix e dispense a TV a cabo

A TV a cabo no Brasil ainda é um serviço extremamente caro. Já uma assinatura no Netflix custa em média R$ 19,90 por mês e possui um conteúdo praticamente infinito! A criançada ama, pois tem o maior número de desenhos animados da moda. O que não tiver no Netflix, tem no bom e velho YouTube, disponível também nas SmartTVs.

Em pouco meses de economia com planos caríssimos de TV a cabo você terá o retorno financeiro pela compra da SmartTV.


5 - Fique atenta às promoções relâmpado da internet

Uma mãe em casa é uma mãe mais antenada na internet. Afinal, ninguém aguenta conversar somente com os bebês e, vez ou outra, damos uma escapadinha no Facebook ou Instagram. É lá que encontro dicas de ótimas promoções!
Dia desses eu estava procurando uma cadeirinha de automóvel para meu bebê e, graças ao Facebook, encontrei uma promoção relâmpago de 40% de desconto.
Mas atenção: não saia comprando tudo que vê pela frente somente porque está em uma super hiper mega promoção. Compre aquilo que realmente precisa. Lembre-se que o dinheiro da casa agora é contado e que supérfluos não são mais bem-vindos.


6 - Pesquisa de preço no supermercado

Se por um lado sua vida ficou mais corrida - afinal, cuidar da casa e do bebê não é uma tarefa nada fácil - por outro você tem mais tempo de se dedicar às tarefas domésticas, como ir ao mercado por exemplo. Faça pesquisas de preço do que você precisa, leve sempre sua listinha e compre somente o necessário para a semana. Evite desperdícios.
Mantenha em estoque o que estiver com um ótimo desconto, mas somente itens não perecíveis (como pasta de dente, papel higiênico e sabonetes, por exemplo).
Do setor alimentação, leve apenas os itens para consumo quase que imediato. Não compre frutas, verduras e legumes em excesso, pois eles correm o risco de ir para o lixo.


7 - Se possível, dispense algumas ajudas

Babá, ajudante, diarista, passadeira, cozinheira... bem, se você vai ficar em casa, é bem provável que tenha que pegar no batente dentro de casa. A não ser que seu marido tenha uma condição financeira que os permita bancar todas as ajudas possíveis.
Mas, ao contrário do que pensamos quando trabalhamos fora, é possível viver sem tantas ajudas. Dependendo do tamanho do seu apartamento e da quantidade de filhos que você tem, uma ajuda na faxina pesada 1x por semana já é o suficiente. Talvez uma passadeira de 15 em 15 dias também. Ah, mas e a comida? Dá pra se organizar, usar a ajuda do maridão aos fins de semana, e fazer um cardápio congelado semanal.
Gosto muito da página Vida Organizada, que ajuda inclusive a cuidar da casa sem tanto "sofrimento". No site tem uma sessão de cardápios semanais, para dar uma mãozinha.


8 - Use e abuse de grupos de desapegos

Os grupos de desapegos me ajudaram e MUITO a economizar. Os bebês perdem tão rápido as roupinhas que até hoje só adquiri peças semi novas mesmo.
Comecei dando uma pesquisada nas peças e preços, pois tem gente que não entende o conceito de desapego rs... depois de pesquisar o "mercado do desapego", consegui fazer ótimas compras para meu bebê. Desde roupinhas e sapatinhos, até brinquedos. Hoje já tenho minha listinha de boas fornecedoras, e é a elas que recorro quando preciso renovar o guarda-roupa do meu bebê.

Quanto às roupinhas que não cabem mais no meu bebê, confesso que prefiro doar. Mas se todos pensassem como eu, eu não teria acesso aos desapegos que adquiro pro meu bebê, então... VIVA OS GRUPOS DE DESAPEGOS ;)


9 - Pegue emprestado - mas empreste também

Precisa de um super hiper mega vestido baphônico para aquela festa? Pegue emprestado da sua irmã, mãe ou amiga.
Com a difusão dos grupos de desapegos, comecei a ver amigas vendendo peças a preço de banana que eu poderia perfeitamente usar. O que passamos a fazer? Agora oferecemos umas para as outras as peças sob forma de empréstimo ou, até mesmo, vendendo por um valor simbólico. Economizamos e contribuímos para a sustentabilidade do planeta.


10 - Procure passeios gratuitos na sua localidade

O Rio de Janeiro, apesar de violento, é uma cidade linda e cheia de atrativos gratuitos para os mais diversos gostos. O que não faltam são opções que agradem todos os bolsos - inclusive os vazios.
Atividades outdoor são as mais visadas, pelas belezas naturais da nossa cidade, mas também contamos com atividades indoor gratuitas ou bem baratinhas. As atividades vão desde pracinhas do bairro à praia, passando por museus e centros culturais. AQUI falei do Passaporte dos Museus Cariocas, que dá acesso gratuito através de um passaporte a 43 museus e centros culturais da nossa cidade. Vale a pena buscar o seu no posto mais próximo.

Uma dica importante neste tópico é: saia de casa de barriga cheia e uma garrafinha de água a tira colo. Muitas vezes um passeio gratuito te faz gastar uma nota com alimentação. Portanto, leve uma lancheirinha se quiser economizar de verdade. É mais saudável, mais barato e, muita vezes, mais higiênico também.


A cada escolha, uma ou muitas renúncias. Claro que parar de trabalhar possui uma série de implicações, e as financeiras costumam ser as mais complicadas de contornar. Mas dá pra modificar seu estilo de vida por outro sem tantos gastos - mas sem grandes perdas na sua qualidade de vida.

Tem mais alguma dica? Compartilhe conosco nos comentários :)


Vamos ao museu?

Mamães apegadas,

Trago uma ótima noticia: no dia 10 de julho de 2015, finalmente recomeçou a distribuição dos Passaportes dos Museus Cariocas! Eu estava louca atrás de um e finalmente consegui. É uma ótima programação com os pequenos.


Para quem não sabe do que se trata, vamos lá:

O Instituto Brasileiro de Museus, juntamente com a Prefeitura do Rio de Janeiro, lançaram um passaporte que dá direito a entrada 0800 nos mais importantes Museus e Centros Culturais da cidade (ao todo são 43).

As gratuidades são divididas por dias da semana. Em cada dia da semana, você pode visitar uma lista de museus e centros culturais gratuitamente. A cada visita, seu passaporte é carimbado, de modo que, se desejar retornar àquele museu, deverá pagar o ingresso. O passaporte expira em 31 de dezembro de 2015. Portanto, corra e adquira já o seu gratuitamente.

A maioria desses estabelecimentos são kids e babies friendly. Recentemente fomos a Casa Daros com nosso bebê e nos surpreendemos com a infraestrutura para ele. A Casa conta com fraldário e pode-se circular com o carrinho tranquilamente. No meio da exposição Jorge quis mamar e uma segurança gentilmente me ofereceu sua cadeira para que eu pudesse sentar e matar a fome do meu bebê.


Os locais de retirada dos Passaportes são:

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de março, 66 – Centro – Rio de Janeiro

Museu Aeroespacial
Av. Marechal Fontenelle, 2000 – Sucalap – Rio de janeiro

Museu da República
Rua do Catete, 153 – Catete – Rio de Janeiro

Museu Nacional de Belas Artes
Av. Rio Branco, 199 – Centro – Rio de Janeiro

Sítio Roberto Burle Marx
Estrada Roberto Burle Marx, 2.019 – Barra de Guaratiba

Museu Imperial
Rua da Imperatriz, 220 – Centro – Petrópolis, RJ


Detalhe do Passaporte 


Exemplo de Lista de Museus e CCs por dia da semana


Jorge na Casa Daros


Jorge mamando no Bistrô da Casa Daros


Jorge na área externa na Casa Daros



terça-feira, 7 de julho de 2015

Sobre as dificuldades e as delícias de amamentar - Precisamos falar sobre isso

Quem me conhece sabe que sempre sonhei em ser mãe. E tive a oportunidade de ver de muito perto toda gravidez da minha irmã, o nascimento da Antonia e a dolorosa amamentação.

Sim, muitas pessoas não sabem, mas muitas mães sofrem demais amamentando seus filhos. O bico do seio racha, sangra, o neném mama leite com sangue, a dor é rasgante e isso pode se estender por alguns meses – no caso da minha irmã, foram três meses de suplício e choradeira ao dar o peito. Isso me assustava... é claro que, como quase toda mulher, eu sempre quis amamentar. Mas dizia para minha irmã, quando a via tremer, suar, chorar e gritar de dor: “Se comigo for assim, eu não amamento. Não vou aguentar essa dor”.

Pois bem. O choque me fez me cercar de todas as informações possíveis sobre amamentação durante minha gravidez. A primeira coisa que fiz foi comprar tudo que tinha de mais atual relacionado à amamentação: pomadas importadas, conchas rígidas, Mamare, bombas extratoras de leite e, porque não, de mamadeiras diversas. Tudo que me diziam que ajudava a aliviar aquela dor absurda – e eu só conseguia me lembrar das lágrimas da minha irmã – eu comprava sem nem olhar o preço.

Um dia, comentando num grupo de wapp que meu maior medo, depois do parto, seria a amamentação, minha amiga Bel, então residente do Instituto Fernandes Figueira (o qual chamarei carinhosamente de IFF), me falou que o Banco de Leite do IFF era referencia em amamentação, e me sugeriu ir lá ainda grávida pegar algumas orientações. Como a grana tava curta e eu não tinha condições de pagar por um curso de amamentação (sim, isso existe e 90% das grávidas fazem um curso sobre isso), resolvi ligar para o IFF e descobri que as palestras eram dadas as quartas e quintas de manha. Anotei na minha agenda e lá fui eu.

Minha primeira impressão foi de desconfiança... lá eles diziam: “Amamentar não dói. Se está doendo, é porque a pega está errada. Usar pomadas só prejudica. A melhor amamentação e a mais indolor, é a mais natural: neném no peito. O leite materno é o melhor cicatrizante que existe”. Bem, alguma coisa não estava batendo naquela história toda... pensei: “Minha irmã é medica, já participou de orientação de amamentação, ela sabia como era a pega correta e, ainda assim, sofreu por longos três meses!”. Saí do IFF um pouco decepcionada e até mesmo desconfiada. Achei que eles estavam forçando uma barra para não desistirmos da amamentação, omitindo o real sofrimento que a amamentação trazia. Nesse momento eu estava no meu oitavo mês de gestação, prestes a ganhar meu filho.

Bem, em dezembro de 2014 meu pequeno veio ao mundo. A primeira mamada foi tensa: a enfermeira da maternidade trouxe meu bebê logo após o parto e o colocou próximo ao meu seio. Ajeitou a boquinha do meu filho no meu seio. Ele sugou. Aquela primeira sensação foi super engraçada. Estranha. E um pouco dolorida.

A orientação foi amamentar meu filho quando ele quisesse, de modo que eu não deixasse passar de 3h sem mamar. A segunda mamada foi um desastre: eu não conseguia colocar a boquinha do meu filho no meu seio sem ajuda. Tive que chamar a enfermagem e, com o auxilio deles, consegui fazer com que meu filho mamasse. Achei muito importante não receber visita nesse primeiro dia. Primeiro porque meu parto foi cesárea e eu não podia falar por conta dos gases. Segundo porque acertar as mamadas é muito, mas muito difícil. No primeiro dia eu precisei chamar a enfermagem em cada mamada, pois eu não conseguia fazer meu filho mamar sozinha, o que já causa uma certa frustração. Além do mais, haviam profissionais boas e profissionais ruins e enroladas na equipe. Em uma das mamadas eu ouvi que o problema era meu seio e que meu filho teria dificuldades em pegá-lo devido a sua anatomia. Depois chamei outra enfermeira que rapidamente conseguiu coloca-lo para mamar. Bem... não preciso nem dizer mais nada.

No segundo dia eu já conseguia posicioná-lo sozinha, porém, começou a arder. O bico estava assado, avermelhado, e pensei: “Ainda bem que eu trouxe minha pomada e minhas conchas! Vou usá-las”. Adiantou alguma coisa? Não. Nada.

No terceiro dia eu já tinha mais prática em colocar meu filho no seio, mas ardia demais... era o dia de ir pra casa. Bem, neste dia eu estava empolgada por estar finalmente com meu filho em casa, apresenta-lo ao seu quartinho e ao seu novo lar. A dor ao amamentar era grande e na madrugada parecia que essa dor era elevada ao cubo, devido ao cansaço. No dia seguinte, no quarto dia de vida do meu filho, eu vi que aquela dor já era mais do que eu poderia suportar...

Falei com minha mãe e irmã que eu não aguentava mais aquilo. Era muita dor, muito mais do que eu podia imaginar. Elas me acariciavam o rosto e diziam: “Vai passar, aguenta firme”. Meu marido, sem saber o que fazer, desabafou com sua família, que também tentou ajudar com conselhos que não adiantavam nada. Amigas diziam: “Dói mesmo, mas depois de um mês melhora...”. Que??? Um mês?? Eu não aguentaria mais UMA mamada do meu filho. Dizer que depois de um mês aquela dor passaria realmente não ajudava em nada, pelo contrario, só me fazia querer abandonar o quanto antes o projeto “amamentação”. Eu gritava, assustava meu filho, que acabava soltando meu seio e me fazendo sofrer mais ainda. Meus bicos já estavam sangrando e feridos. Cada abocanhada do meu filho era um urro de dor. Quando ele terminava de mamar eu dava graças a Deus e rezava pro tempo não passar, queria que aquelas 3 horas de intervalo entre mamadas passassem muito lentamente. Cadê aquela imagem linda da campanha da mulher feliz e serena amamentando?

No quinto dia de vida do meu filho eu me lembrei da palestra do IFF. “Amamentar não dói”. Eu não entendia, pois eu estava fazendo tudo conforme orientação das enfermeiras da maternidade, minha irmã olhou e também falou que a pega estava correta. Então liguei para o IFF como quem está cobrando uma satisfação. “Se me disseram que amamentar não doía, porque eu estou sofrendo tanto? Eles mentiram pra mim!”. Pelo sim, pelo não, liguei chorando e disse que precisava de ajuda, pois não aguentava mais aquela dor. Tirei um pouco de leite com uma bomba manual que eu tinha – doeu quase que igual, mas um pouco menos. Dei aquele pouco leite que consegui extrair para o meu filho e corri para o IFF com ele. Minha irmã, minha mãe e até mesmo meu marido acharam aquela atitude precipitada, pois meu filho ainda não tinha nenhuma vacina e eu estaria expondo ele a um ambiente contaminado. Bem, o Banco de Leite do IFF fica em uma área reservada, então a exposição não seria assim tão grande. Além do mais, aquela era a única chance que eu tinha de continuar amamentando...

Cheguei lá quase vencendo as 3h sem mamar do meu filho. Fui ficando tensa, pois ele ficaria com fome e eu me recusava a dar o seio, tamanha dor. Fui rapidamente atendida por duas enfermeiras carinhosas, que me acalmaram, fizeram perguntas, examinaram meus seios e disseram: “Essa pomada que vc está passando prejudica a pega. A boca do seu filho escorrega para o bico, é claro que assim vai te machucar”. Meu atendimento levou 1h. Elas me examinaram, comentaram particularidades do meu seio e da minha produção de leite e, enquanto me faziam perguntas e me instruíam, eu chorava derrotada, antes mesmo dele vir mamar. Elas me consolavam e diziam: “Calma, vai dar certo”. Enquanto isso, Ricardo aguardava lá fora ansioso.

Enfim chegou a hora de botar meu filho para mamar, após todo apoio que elas me deram. Elas pediram que eu o pegasse no colo. Eu tremia de medo... afinal, por melhores que fossem as instruções delas, meus seios já estavam em carne viva! Era obvio que iria doer e eu não queria mais passar por aquilo! Sem ter muita opção, confiei naqueles anjos que ajeitaram meu filho nos meus braços, ajeitaram meus seios e...pluft! Ele abocanhou SEM DOR ALGUMA. Descobri que antes eu até estava fazendo certo, mas faltando corrigir alguns detalhes, que fizeram TODA diferença. Eu tinha umas particularidades que somente especialistas conseguiriam detectar, em casa eu jamais acertaria completamente. Ou seja, eu PRECISAVA ter ido ao IFF. Meu filho mamou por longos 40min, incansavelmente – e com fome – sem doer absolutamente nada!! Chorei de alivio. Elas me deram as mãos e disseram que era por casos como o meu que tudo valia a pena. Saímos ao encontro do Ricardo: eu, meu filho satisfeito e os anjos que me ajudaram. Elas conversaram com ele e pude ver o alivio em seus olhos... voltamos pra casa muito felizes e aliviados.

As próximas mamadas foram ótimas. Eu segui as instruções do IFF, dentre elas algumas foram bem particulares para o meu caso, mas outras são bem gerais e posso compartilhar:

- O neném precisa abocanhar o máximo da parte inferior de auréola, e estar com os lábios virados para fora, tipo boquinha de peixe. Se os seios estiverem muito cheios, é necessário esvaziá-los um pouco antes de cada mamada para que o neném consiga abocanhar o máximo de aureola possível. Caso o neném fique mamando no bico, além de machucar horrores, ele não estimula a produção de leite o que, a médio prazo, acaba fazendo com que a produção diminua e, consequentemente, o leite “seque”.

- Pomadas como Lanidrat e Lansinoh não são cicatrizantes, são hidratantes. Causam um conforto instantâneo para a mãe, porém, prejudicam a pega do neném, pois sua boquinha escorrega para o bico e acaba machucando. Além disso, elas causam entupimento de ducto. Eu tive e doeu muito!

- A concha rígida, por melhor que seja sua higienização, mantem o seio úmido e pode causar fungo. Uma amiga teve e a dor era absurda, provavelmente até maior do que a dor da pega incorreta.

- Idem Mamare, pode causar fungo. No dia que estive lá, tinha uma moça com fungo devido ao Mamare e, nossa, eu não queria estar na pele dela...

- O bico de silicone na maior parte das vezes impede que o neném abocanhe grande parte da aureola. Com isso, ele pode não estimular corretamente a produção de leite.

- O melhor cicatrizante que existe é o conjunto Leite Materno + Sol. Isso mesmo. Nada de pomadas. Em dois dias meus seios estavam novos em folha, mas é preciso corrigir a pega, senão não adianta nada.

De madrugada, com o cansaço, a coisa desandou novamente. No dia seguinte eu estava desanimada, chorando novamente e sentindo dor. Juntei forças e liguei para o IFF novamente. Consegui novamente consulta para o mesmo dia e, dessa vez, fui atendida por uma enfermeira e uma psicóloga. Foram 2 horas de consulta. Recebi informações valiosíssimas! Claro que chorei novamente de medo, dor e, posteriormente, de alivio, uma vez que meu filho conseguiu mamar lá corretamente e não senti mais dor. Voltamos pra casa ainda mais confiantes e, de lá pra cá, tudo correu na mais perfeita ordem.

Por que expus isso aqui? Porque muitas mulheres, mas muitas mesmo, acreditam que essa dor é normal e vai passar naturalmente depois de um tempo. É isso que nossas amigas, mães, irmãs, sogras, e pessoas que, infelizmente não tiveram a orientação correta, nos dizem. Até pode ser que a dor passe sozinha, afinal, a boquinha dele vai crescendo e ele é esperto o suficiente para encontrar uma maneira de mamar que resulte em um maior fluxo de leite para ele – a posição correta. Mas talvez aí seja tarde demais. Pode ser que quando essa dor passar seu filho tenha mamado “errado” por tanto tempo que sua produção de leite já não esteja mais acompanhando seu crescimento, devido ao estimulo ineficiente. Pode ser que a dor seja tanta que você não consiga esperar passar e acabe optando pelo leite artificial na mamadeira. Pode ser que você fique regulando horário para amamentar seu filho devido à dor e, assim, ele não ganhe o peso que precisa. Enfim, podem ser tantas coisas... que eu precisava divulgar essa alternativa que nós temos, o IFF! Nem todas as cidades brasileiras contam com um Banco de Leite, então podemos dizer que somos privilegiadas por podermos contar com eles.

Conheço sim alguns casos em que o IFF não foi eficaz em resolver. Mas passei a conhecer MUITO mais casos de sucesso. Nem todos os problemas são de pega, existem diversos tipos de dificuldades que surgem nesse processo confuso que é a amamentação, e no IFF encontrei anjos capacitados técnica e emocionalmente para ajudar.

Sei que muitas dificuldades ainda podem surgir na amamentação do Jorge, e muitas provavelmente surgirão na amamentação de meus próximos filhos. Mas só de saber que podemos contar com o IFF, fico aliviada e confiante.

Moral da historia: não sofra desnecessariamente. Não gaste dinheiro com artefatos para amamentação. O IFF não mentiu para mim quando disse que a amamentação mais natural seria a menos sofrida.

E finalmente deixo aqui todo meu respeito a todas as mães: as do leite materno e as do leite artificial. As da cesárea, as do parto normal e as do parto natural. Só quem é mãe sabe o quão dolorido e frustrante é esse caminho louco que percorremos, mas que fazemos com gosto e muito amor.

Um beijo,
Mãe do Jorge.


Amamentando o Jorge, já com seus seis meses na foto <3