Ultimamente muitas meninas têm me procurado para desabafar e procurar a resposta para a questão do choro dos bebês no seu primeiro trimestre de vida. Por isso, decidi escrever um texto sobre a minha experiência neste período, para acalmar o coração das mamães que vivem essa fase atualmente.
SERÁ QUE ELE CHORA DE FOME?
Vou contar aqui uma historinha. Eu fui mãe praticamente junto com outras duas amigas e nós, como três boas mamães de primeira viagem, conversávamos muito sobre o comportamento de nossos bebês. Com isso, descobri que, até os três meses de idade, só o Jorge, chorava pra tomar banho. Só o Jorge chorava pra trocar a fralda. Só o Jorge chorava pra pegar sol. Só o Jorge chorava pra trocar a roupa. Só o Jorge chorava pra toda e qualquer coisa que não fosse ficar pendurado nos meus peitos.
Me lembro que quando ele tinha por volta de 20 dias de vida telefonei pro pediatra (que estava em uma viagem de férias nos EUA) pedindo pelo amor de Deus alguma explicação pro choro incessante do meu filho. Após descartar fome, refluxo e APLV, o diagnóstico foi claro: cólica.
Tentei de tudo pra amenizar a cólica do meu filho, mas nada o fazia desgrudar do peito. Chamei uma especialista em shantala para me ensinar a técnica, passava o dia fazendo compressa de água quente na barriguinha, testei quase todas as receitas de vó, e nada.
As consultas mostravam que ele ganhava peso como um touro! Mas o grude continuava.
É claro que nessa época eu consultava minhas amigas e perguntava se os bebês delas também tinham esse grude, mas a resposta foi negativa. Por que então só o meu bebê chorava tanto?
Foi aí que pesquisei mais sobre a teoria da extero-gestação (ou o quarto trimestre da gestação). Resumidamente falando, a teoria descreve a sensação de estranhamento que o bebê tem do mundo e como ele se sente seguro com a mãe. Ele se pendura no peito buscando um conforto, segurança, e não necessariamente tem fome. Para quem quiser ler mais sobre a teoria, indico o texto do blog do GVA:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/teoria-da-extero-gestacao.html
Bem, dito isso, fica claro que o meu bebê estava vivendo uma fase normal para sua idade. Sei que é exaustivo para a mãe, desesperador às vezes, mas é uma fase. Chamamos de cólica, fome, mas na realidade tudo que nosso bebê quer é o nosso calor, o nosso conforto. Alguns bebês encaram relativamente bem o encontro com nosso mundo. Jorge certamente não foi um desses.
Eis no auge desse estresse, surgem os pitacos, até bem intencionados, mas mal informados:
"Mas será que esse menino não está com fome?"
"Por que você não experimenta dar uma mamadeira pra ver se ele passa a dormir a noite toda?"
"Isso é fome, o seu leite não está sustentando..."
Simplesmente pare. Não é nada disso. Nem todo choro é fome! Seu bebê, até bem pouco tempo atrás, vivia no conforto do seu útero, o único som que ele conhecia praticamente era o da sua voz. Como você espera que ele encare nosso mundo sorridente de uma hora para a outra?
Muitas mães que, até então, amamentavam exclusivamente o bebê no seio, neste momento dão uma mamadeira e notam que o choro cessa e a criança dorme. É aí então que elas têm a certeza de que o bebê chorava de fome e encerram sua amamentação exclusiva. Ocorre que, se havia ganho de peso adequado, você chegou a conclusão errada. Seu bebê não chorava de fome só porque se calou ao receber a mamadeira. Ele simplesmente dormiu pois ele já estava satisfeito com seu leite e ficou empanturrado com a mamadeira.
Se você deseja amamentar exclusivamente e seu bebê ganha peso adequadamente, esqueça o complemento e suas inseguranças quanto ao choro do seu bebê. Fique bastante com ele no peito, no colo. Já tive algumas maratonas de 6h com Jorge direto no peito, só alternando peito. Do direito pro esquerdo, do esquerdo pro direito e assim sucessivamente.
Ah! E neste ponto também acho importante citar uma coisa: não pense que seu leite acabou só porque seu bebê mamou os dois seios e eles estão murchos. O seio não é estoque, ele é fábrica! 80% do leite que seu bebê mama é produzido durante a mamada, de modo que o leite é, teoricamente, infinito. Não fosse assim, mulheres de seios pequenos não conseguiriam amamentar seus bebês, não é mesmo? Então esqueçam o mito do leite que acaba quando a mama está murcha.
ADIE AS VISITAS
Eu não tive condições de receber
ninguém até Jorge completar três meses de vida. Minhas melhores amigas o viram na maternidade, e depois só quando essa fase mais conturbada passou. Sem estresse nem cerimônias.
Durante o período só recebi os familiares mais próximos e olhe lá. Eu simplesmente não convidava ninguém, e cheguei a negar a visita de uma tia super querida, pois eu não estava em condições.
Peça para o papai ajudar você nessa tarefa de adiar as visitas, para que você não tenha que lidar com a eventual insatisfação da pretensa visita. A regra número um é: não receba ninguém em casa se você não estiver em condições. Você e seu filho dependem de um ambiente tranquilo e harmonioso pra saírem bem desta fase.
MEU BEBÊ SÓ DORME NO MEU COLO. SERÁ QUE VAI FICAR MIMADO?
Outra coisa que desespera as mamães nessa fase é o sono do bebê, que ainda é super leve, e muitos só conseguem cochilar no colo da mãe. Bem, aqui cabem algumas observações.
A primeira delas é: ignore aquele tio mala que diz que seu bebê vai ficar mal acostumado se só ficar no colo. Isso não é nem um pouco verdade. Até os três meses de vida não existe manha. O bebê ainda nem se situou no mundo, imagine fazer manha! Pode ignorar os pitacos, seguir seus instintos e dar bastante colo. Lembre-se sempre: VOCÊ é a mãe. Por mais inexperiente que seja - ou que tentem te fazer sentir - só você conhece seu filho profundamente. Foi você quem o carregou por nove meses, é a você que ele reconhece como porto seguro, então você é quem decide o que é melhor para vocês dois. Ok? Botar um pouquinho de limite nos mais atirados não fará de você uma mamãe mal educada.
A segunda observação é: o sono de um bebê recém nascido carece de dois itens primordiais.
Investimento e rendição. Isso mesmo. Você, mamãe, precisa investir no sono do seu filho. Precisa fazer de tudo e mais um pouco para que ele cochile, nem que você precise passar o dia inteiro com ele no colo. Sabe por que? Porque um recém nascido com sono fica ainda mais irritado, o que vai te deixar ainda mais estressada. E por que eu citei a rendição? Porque a palavra é essa mesma, se render. Seu filho só dorme com você deitada ao lado dele na cama? Faça isso. Deite por 1h ao lado dele na cama. Faça ele descansar. Se renda. Você vai ver que isso vai melhorar muito as coisas.
Eu demorei bastante a entender que meu filho precisava dormir. Na minha inquietude de manter a casa arrumada e a comida em dia, eu não me permitia investir e me render ao sono dele. Quando aprendi essas duas palavrinhas chaves, minha vida mudou. Eu investia e me rendia por uma hora ao lado dele e tinha duas horas com menos choro depois.
Se não desse pra fazer a comida, eu pedia fora. Se não desse pra arrumar a mesa da sala, paciência. Eu passei a ficar muito menos estressada quando compreendi que meu filho precisava dormir, mas precisava de mim para essa tarefa. Enquanto eu pusesse mil e uma barreiras neste caminho, ele não descansaria e eu sofreria as consequências.
Ainda sobre o sono do bebê, compartilho aqui um link super especial que me fez entender que o meu filho precisava realmente descansar. O link trata sobre o
EFEITO VULCÂNICO do sono e explica direitinho a importância das sonecas para o recém nascido - e para a mamãe dele.
USE E ABUSE DO SLING
O sling foi adquirido quando Jorge tinha vinte dias de vida. Comprei um wrap sling 100% algodão. Era auge do verão, mas usava mesmo assim. Ligava o ar condicionado e ficava com ele no sling para poder comer algo, por exemplo. Sem dúvida o sling e continua sendo um super aliado. Recomendo fortemente!
Dito isso, espero ter acalmado as mamães do primeiro trimestre de vida do bebê - ou do quarto trimestre da gestação. Quando Jorge fez três meses, tudo melhorou como um passe de mágica. Ele começou a interagir mais com o mundo e seu medo do desconhecido foi diminuindo. Conseguia focar mais nos brinquedos, nas cores, até nas minhas palavras. Foi ficando mais independente dia após dia, foi dormindo mais profundo. Foi espaçando as mamadas e ficando mais confiante.
Sei que fazemos muitos planos para a educação de nossos filhos. Sempre achei um absurdo o neném dormir com os pais na cama, mas eis que a cama compartilhada salvou e ainda salva minhas noites. Não teorizar muito faria muito bem às gestantes. Isso reduziria imensamente a quantidade de mães frustradas e ansiosas, que torcem para que os três primeiros meses passem logo e acabam não aproveitando esse período tão íntimo e delicioso.
Conheça seu filho antes de teorizar. Esse é o principal recado que eu daria às gestantes.
A moral dessa história toda é: tudo passa! Sei que é repetitivo, pois todos dizem isso, mas é a maior verdade! E ficam as saudades da época de carrapatinho <3
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| Eu e Jorge, meu carrapatinho |
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| Investimento e rendição <3 |
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| Namorando um pouquinho com mamãe no sling |