Dia 26/12/2015 Jorge fez um ano de vida. Não sei se é clichê, mas eu comemorei muito esse primeiro ano, pois também foi meu primeiro ano como mãe, como dona de casa, nosso primeiro ano de amamentação, dentre várias outras coisas.
Eu já escrevi
aqui sobre meu início difícil e conturbado com a amamentação. Apesar desse início difícil, conseguimos levar Jorge até os seis meses com amamentação exclusiva, o que foi um grande marco pra nós.
Agora com um ano Jorge continua mamando somente no peito, além de consumir outros alimentos (sua introdução alimentar aconteceu com 6 meses e 1 semana aproximadamente).
Bem, e com um ano de amamentação, o que mudou?
Muita coisa mudou. Pra começar que amamentar, pra mim, sempre foi um grande sonho e um fator primordial pra minha escolha de dar um tempo na minha carreira. A mãe que amamenta sabe que o elo que se forma durante o período da amamentação é muito forte. Não quero dizer com isso que a mãe que não pôde amamentar tem um elo mais fraco, não é nada disso, mas a amamentação traz com ela uma dependência maior do bebê com a mãe, afinal, amamentar é um ato que não se pode delegar a outra pessoa. Amamentar consome demais a mãe, pois é algo que pode levar horas e horas e que ninguém pode fazer por ela.
E Jorginho sempre amou o peito, desde RN. Passou quase quatro meses pendurado (período da extero-gestação - chegou a fazer turnos de 6 horas direto, non stop), recusou a chupeta - o que hoje em dia eu agradeço a Deus por ele ter sido sábio - e seu primeiro sorriso foi para o peito rs. Eu não quis cerrar esse ciclo quando ele tinha apenas quatro meses de vida, por isso decidi postergar meu retorno ao trabalho.
A introdução alimentar não foi das mais fáceis. Até hoje Jorge faz greves de fome de vez em quando na tentativa de ficar só no peito. Mas muitas vezes o peito é quem salva a alimentação do Jorge (quando ele tem alguma virose ou quando tem dente nascendo - quando não há santo que o faça comer!). Ele até hoje come muito pouco. E mama muito. De modo que amamentar ainda me prende bastante, e talvez essa seja a parte mais complicada de toda história.
Meu filho já tem um ano e até hoje opto por não ficar muitas horas longe dele, por conta da amamentação. Dormir fora, nem pensar. Se não for no peito, ele chora chora chora horas seguidas até dormir. Não, eu não quero fazer isso com ele. Mas o mais chato mesmo é que ninguém, mas NINGUÉM entende essa opção que eu faço de não sair sem meu filho por conta do peito.
- Mas ele já come outras coisas? Então porque você precisa ficar em casa para amamentá-lo?
- Você sabe que está prejudicando seu filho com essa dependência toda, né?
- Não acredito que você não pode sair uma noitezinha sequer até hoje. Ele já come outras coisas, se acordar, o pai dá uma banana, sei lá!
- Ué, tira seu leite e congela!
- O que? Você não sai sozinha com seu marido? Cuidado hein! Assim não há casamento que resista!
Gente, simplesmente parem. Sei que há casais que querem muito dar aquela namorada fora de casa, sair para jantar ou ir ao cinema sem a cria, mas essa vontade ainda não chegou por aqui. Outro dia perguntei ao meu marido se ele fazia questão de sair somente comigo e a resposta foi a que eu imaginei: Não. Gostamos tanto dos nossos passeios matinais, com nosso filho, que ainda não sentimos falta de algo diferente disso.
- Mas e quando ele for pra creche? Como vai ser? Você precisa ir cortando o peito pra ele ir se acostumando.
Eu acho que tudo tem seu tempo e que nada forçado é legal. Um dia eu e meu marido sentiremos uma louca vontade de deixar nosso filho com alguém para passar o fim de semana na serra. Ou para varar a madrugada tomando chopp com os amigos na lapa. Um dia meu filho vai pra creche e eu vou voltar a trabalhar. Um dia, um dia... E um dia Jorge vai dormir sem o peito. Seja por iniciativa própria ou porque eu terei voltado a trabalhar e ele terá que aprender a dormir no colo de uma estranha. Mas pra que forçar qualquer uma dessas situações antes do tempo, antes de estarmos seguros pra isso?
Aqui, por exemplo, botamos Jorge pra dormir cedinho e corremos pra sala pra assistir um filme, por vezes até tomamos um gole de cerveja. Pedimos pizza. E somos felizes assim.
Além do mais, Jorge não toma meu leite fora da "fonte". Meu marido já tentou dar no copinho e não rolou. O espertinho quer só no peito. E é sério que alguém acha que o menino vai acordar de madrugada procurando o conforto do mamá e vai se contentar com uma banana oferecida pelo pai?
Jorge ainda acorda muito de madrugada procurando o mamá dele. Eu não durmo mais que 2h seguidas há um ano. Mas engana-se quem pensa que ele sente fome: curiosamente as noites em que ele dorme melhor são aquelas em que no dia ele mais mamou. Recentemente Jorge passou um mês só no peito (dos onze aos doze meses - virose, dente, etc) e eu tive as melhores noites do último ano. Ao passo que, quando voltou a comer, voltou a ter noites agitadas. A impressão que eu tenho é a de que mamar bastante durante o dia o deixa mais seguro e o faz dormir mais profundamente a noite. Ah, outro dado importante: embora tenha passado um mês exclusivamente no peito, já com um ano de idade, engatinhando e andando, Jorge continuou ganhando peso. De modo que, contrariando a "sabedoria da vovó", o leite NÃO VIRA ÁGUA APÓS OS SEIS MESES. Senão meu filho teria se desnutrido rs...
Eu brinco que toda mãe deveria ter a experiência de amamentar por mais de seis meses (além de ser recomendação da OMS a amamentação até os dois anos ou mais). É super divertido amamentar hoje em dia, com ele interagindo tanto. Ele literalmente se treme de emoção quando eu tiro o sutiã ou quando pergunto: "Filho, quer peito?". É tão engraçado!
Mas é claro que a cada dia que passa, a amamentação me consome mais e mais. Hoje em dia, o peito é solicitado a qualquer hora, em qualquer lugar, e sem muita chance de negociação. O peito não tem mais tanto papel de alimentação, mas é o consolo, o soninho, o conforto, a segurança. E ele pede toda hora. Mesmo. Se estiver com sono ou entediado, pelo menos a cada meia hora. Então se estou no shopping e meu chumbinho de 11kg resolve mamar, meu amigo, é ali mesmo. Não me incomoda amamentar em público, mas às vezes é atrapalhado parar tudo o que se está fazendo, sentar meu big boy, e amamentar. A cada meia hora.
Também tenho certa dificuldade em sentar com ele em casa para brincar. O vício é tanto e o livre acesso é tão... "livre"... que, se ele estiver entediado, vai parar de brincar para mamar de 5 em 5min. Me faz abaixar o sutiã, dá 3 goladas e volta a brincar. É repetitivo, por vezes sacal, pois não há santo que o faça desistir de dar aquela micro mamada o tempo inteiro.
Aí entra outra coisa chatíssima, que é o olhar alheio querendo regular meu peito... Se quem não amamenta sofre preconceito, quem amamenta por mais de seis meses também sofre. Tem gente que acha "horrível bebê grande puxar a roupa da mãe pra mamar". Achar você pode achar o que quiser. Só não venha me recriminar por amamentar meu filho em público se não quer ouvir uma resposta malcriada. E só para lembrar: a mãe aqui sou eu, então quem dá os limites também sou eu. Afinal, é no seu peito que ele está querendo mamar ou no meu?
Aos finais de semana, meu marido fica com nosso filho de manhãzinha preu dormir um pouco mais. Mas bota pouco nisso. Eu o amamento assim que ele acorda, entrego pro pai, que dá uma fruta, dá água, mas no máximo 2h depois ele já está indócil pedindo "Mamá! Mamá!". Então mesmo com o vale-soneca do papai, a mamãe aqui não consegue esticar muito o sono aos finais de semana.
O que eu quero dizer com tudo isso?
Que amamentar não é fácil. Não a toa, as mães comemoram cada mês amamentado exclusivamente. Depois, cada mês resistindo à mamadeira. Quando a mãe volta a trabalhar então, cada dia de amamentação é uma vitória.
Antes de ser mãe eu achava que dar mamadeira devia ser muito trabalhoso. Esterilizar, preparar, esquentar. Afinal, o peito já está ali, na temperatura ambiente... por um lado o peito é mais prático sim. Posso sair na sua sem absolutamente para pro meu filho beliscar, pois tenho o peito pra ele se nutrir. Não tendo o peito, a mãe precisa se preparar, levar a água, o leite em pó e a mamadeira.
Mas por outro lado... meu filho ficava horas e horas pendurado no meu peito. Hoje em dia não passa mas horas e horas pendurado mas, conforme eu já citei, pede a cada 5min rs... o peito gera um vício que não existe com a mamadeira - existe com a chupeta. Além do mais, a mamadeira pode ser oferecida por outra pessoa, enquanto a mãe vai sei lá, tomar um banho, fazer as unhas, cuidar de si. O peito, obviamente, não.
Nem toda mãe curte a ideia de amamentar. Por vezes eu brinco que é como ter um "piercing de mamilo" ali te sugando o tempo todo. Respeito a opção dessas mulheres, não é fácil mesmo ficar presa, ainda mais na nossa cultura ocidental, onde a mãe pensa que tem que fazer tudo ao mesmo tempo: cuidar do corpo, da casa, do marido, da vida social. Muitas vezes acabamos não percebendo que o bebê é quem precisa da gente 100% do tempo, e que todo restante pode esperar.
Mas eu lamento pelas que quiseram mas não puderam amamentar por falta de apoio ou de informação. Apoio é FUNDAMENTAL. Para elas, indico que leiam esse texto
aqui para, quem sabe, realizar esse sonho com o próximo filho, ou até mesmo para mostrar para as amigas que é sempre possível buscar ajuda.
Resumidamente, amamentar é se doar, mais do que qualquer outra coisa.
E apesar de todos os pontos contras que citei aqui em cima, eu não pretendo parar tão cedo. Enquanto eu estiver em casa com meu filho, ele terá livre acesso ao mamá dele.
"Mas COMO você pode curtir essa dependência toda?".
Sei lá. Sendo mãe. Mãe é bicho meio doido.
Mãe sofre com as dores do parto, sofre com o puerpério, e sonha ter outro filho.
Com a amamentação é parecido. Algumas - poucas - vezes eu me questionei se estava fazendo certo adotando a livre demanda (principalmente quando meu filho dá revertério para comer - o que acontece em praticamente todas as refeições), mas a grande verdade é que eu não mudaria nada na nossa história de amor-líquido. Mesmo sabendo que talvez ele comesse melhor sem a livre demanda. Mesmo sabendo que talvez eu dormisse por mais que 2h seguidas.
Porque ser mãe, de peito ou de mamadeira, é isso: é se doar inteiramente. É fazer o que pensa ser o melhor pro seu bebê sem pensar duas vezes ou medir os esforços.
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Diploma conquistado a base de muito suor, amor e dedicação. Principalmente, apoio.
Foto: Flamingo Foto. |