empatia
substantivo feminino
- 1.faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).
- 2.capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
Vulgo "capacidade de se botar no lugar de outra pessoa", a empatia é artigo raro na humanidade, em especial no universo da maternidade.
Sabemos que ser mãe não é nada fácil e, por vezes, nos pegamos desabafando com amigas sobre coisas que nos incomodam. Feliz aquela mãe que encontra uma escuta atenta e empática - o que, infelizmente, não é a maioria.
Vamos à lista de situações comuns:
Situação 1 - O MARIDO
Mãe A: "Não sei mais o que eu faço para que meu marido compreenda que preciso de sua ajuda para cuidar do nosso filho, manter a casa em ordem..."
Mãe B: "Nossa, como eu sou sortuda, meu marido me ajuda em tudo!"
Situação 2 - A COMIDA
Mãe A: "Meu filho não come nada. Já tentei de tudo e nada funciona. To ficando desesperada!"
Mãe B: "Gente, se deixar, meu filho come até as paredes! Sabe que ontem ele bateu um pratão e ainda repetiu?!"
Situação 3 - O PUERPÉRIO
Mãe A: "Meu filho tem chorado demais de cólica. Não sei mais o que fazer. É muito sofrido vê-lo chorar tanto..."
Mãe B: "Meu filho é tão bonzinho! Não tem cólica, só ri, nunca chora."
De onde surgiu a ideia de falar sobre isso? Depois de ver uma menina fazer um desabafo sobre um marido super acomodado em um grande grupo de mães do Facebook, e me deparar com uma resposta idêntica à Mãe B da situação 1. Sim, as mães B de fato existem, o que é bizarro. A resposta da menina foi exatamente isso e ponto: uma mãe elevando seu ego diante de uma mãe destruída, cansada e decepcionada.
Poderia citar outras dez mil situações comuns, mas vamos direto ao que interessa: não, NÃO É LEGAL você ser a Mãe B. Fico muito contente mesmo pelo seu marido perfeito, pelo seu filho tranquilo e comilão, de verdade. Mas vamos ser um pouco mais sensíveis e empáticas?
Há quem diga: "Nossa, que frescura! Então eu não posso ser feliz só porque uma mãe está triste?". Claro que pode. Não só pode, como deve. Gente feliz é tudo de bom, emana boas energias. Mas quando uma mãe te procurar para desabafar, seja sensível ao seu problema. Ela não precisa saber naquele momento o quão perfeita é sua vida, pois falar da sua vida só mostra que você não esteve atenta ao seu desabafo. Ela precisa que você a ouça, que diga que a compreende, até que procure ajudá-la a encontrar alguma solução para o que ela está vivendo. É claro que ela fica feliz com sua felicidade, mas isso não irá ajudá-la neste momento. Dependendo do caso, ela ficará se perguntando o que fez de errado, ou aonde falhou para que tudo desse errado com ela. E chega de culpa na maternidade, não é mesmo? Não precisamos mais dela.
Sei que muitas vezes a falta de empatia surge de uma ingenuidade. Mas acho importante que mesmo essas mamães leiam esse texto e aprendam o significado dessa palavra tão em falta hoje em dia.
MAS CALMA, O OPOSTO TAMBÉM NÃO É LEGAL
Sim, o oposto também não é legal. Se uma mãe te procura para desabafar sobre seu problema, tentar mostrar que este é infinitamente menor que o seu, não ajuda. Menosprezar o sentimento de uma mãe não irá diminui-lo. Apenas fará com que ela o guarde para si, ou por não aguentar mais ver você competindo desgraça, ou por se sentir mal em estar reclamando de algo que, dada a situação, já nem parece mais tão grave assim - embora, pra ela, ainda seja.
A ESCUTA EMPÁTICA
Ocorre que a escuta empática está em falta nas conversas em geral. Muitas vezes vejo rolar uma queda de braço em rodas de conversa, onde todas querem desabafar, mas ninguém quer escutar. Quando escutam, ou se vangloriam de suas vidas perfeitas, ou preferem "disputar desgraça".
Então proponho uma coisa: Quando alguém te procurar para desabafar, pense que você foi escolhida para ouvir aquela história. Pense que você tem uma missão atrelada à escuta, a missão de levar conforto emocional para aquela mãe. Á ela não interessa que sua vida seja muito mais ou muito menos interessante que a dela. Se não tiver nada para dizer, diga apenas "Eu te entendo, e estou aqui por você". Simples, direto, efetivo.
Se você precisar desabafar sobre qualquer aspecto de sua vida, haverá espaço para isso também. É importante falar, mas também é muito importante ouvir. Compreender. Refletir de fato sobre o que está sendo dito. Se concentrar. ESTAR na conversa.
Vamos trabalhar mais a empatia? Afinal, empatia é quase amor :)

muito legal
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