sábado, 18 de julho de 2015

Slings, Cangurus e Babywearing

Quem me conhece sabe que sou fã do sling. Esse "pedaço de pano" me ajudou e ajuda muito a executar tarefas diárias básicas sem ter que negar colo ao meu bebê (pois negar colo a ele simplesmente não é uma possibilidade por aqui). 

Por isso hoje resolvi escrever um pouco sobre esse aparato que está em alta.


A lógica dos slingeiros :)




Por que o sling e não o canguru? 

O canguru tradicional deixa o neném pendurado pela virilha, podendo causar inflamações e displasia. Seu uso prolongado pode causar sérios danos ao neném. 

Já o sling, quando utilizado corretamente, deixa o neném, desde recém nascido, em posição ergonômica, fisiológica, confortável e segura. Existem alguns tecidos indicados para o sling. O meu primeiro foi o wrap sling, 100% algodão e comprei pela internet. Chegou super rápido e uso desde que meu filho tem 20 dias de vida. Isso foi ótimo pois hoje em dia ele é super adaptado e não tenho dificuldade alguma! Alguns bebês, se não iniciados bem cedo no sling, podem estranhar e não aceitar quando maiorezinhos. 
Preciso avisar: Usar o wrap sling no verão é bem calorento. Não tem como negar. Por isso algumas fornecedoras vendem o wrap sling verãozao, em um tecido todo furadinho. Porém, já ouvi dizer que esse tecido não é seguro, pois possui um grau elevado de elasticidade. 
Bem, minha sugestão é: deseja adquirir um sling? Entre no grupo Slingando aqui no Facebook. As meninas ajudam muito! 

Depois do wrap, adquiri um pouch sling, em tecido dryfit e de estampa lisa, para ser uma opção mais social. Foi um ótimo investimento, pois ele não compromete em nada a elegância da ocasião e meu filho ama. É super prático, leve, fácil de carregar pros lugares, fresco. Uma mão na roda pra quem quer dispensar os 5m de pano do wrap sling. Mas atenção:  Esse tipo de sling só é aconselhável quando o bebê já senta.



Jorge dormindo no pouch sling, junto com a mamãe, madrinha de um casamento




E uma outra opção (a melhor, na minha opinião) seria o Ergobaby. O Ergobaby tem a praticidade do canguru, com o conforto e segurança de um sling. O fator contra: seu preço. Aqui no Brasil, seu custo varia de 500 a 1000 reais. Eu comprei um usado, e foi o melhor investimento dos últimos tempos. Mas se você conhecer alguém que esteja nos EUA, pode pedir pra trazer, vende na Amazon. Super ergonômico, mantém o bebê completamente sentado e confortável. O meu modelo, por exemplo, suporta até 20kg. Ou seja, Jorge vai usar muuuuuito ainda <3


Jorge confortavelmente dormindo no Ergobaby







Ainda falando de cangurus ergonômicos, existe uma marca nacional chamada Mochilik, da Petlik Sling. Não conheço "pessoalmente", mas já ouvi falar muito bem. Custa 250 reais, e é uma ótima opção para quem não se adaptou ao sling mas não pode desembolsar uma nota pelo Ergobaby. É tão ergonômico quanto, só não parece ter as alças tão acolchoadas quanto o modelo americano, mas apresenta a mesmíssima segurança para o bebê. 











terça-feira, 14 de julho de 2015

Dez dicas para quem quer economizar - e curtir mais os filhos

Se você optou, após a maternidade, por ficar em casa e curtir um pouco mais seus pimpolhos, fique atenta a essas dicas valiosíssimas!

O primeiro passo é conhecer suas novas necessidades, demandas e disponibilidades. Assim você poderá traçar o seu novo perfil e será capaz de reconhecer onde é possível economizar e cortar gastos.


1 - Comece reduzindo a conta de celular

Se você está em casa, provavelmente tem acesso wi-fi na maior parte do tempo. Com acesso wi-fi ilimitado, você já tem 99% da comunicação que precisa - afinal, hoje em dia quase todos possuem conta em dispositivos de mensagens instantâneas como o WhatsApp ou o Messenger do facebook. O próprio WhatsApp atualmente já efetua ligações, de modo que você já não é mais tão escrava assim de inúmeros minutos de ligação ou de mensagens SMS.
Portanto, reduza seu plano de celular para um plano pré-pago. Existem ótimas promoções nas operadoras. Procure saber quais são as operadoras de celular das pessoas com quem você mais fala e migre para a mesma operadora que elas, pois costumam haver ótimos descontos para ligações de mesma operadora.


2 - Depois parta para a conta de luz

Ficando em casa naturalmente gastamos mais luz do que trabalhando na rua.

Aqui em casa passei a programar a comida do dia de modo a não precisar usar o microondas para descongelar a comida. No dia anterior desço a comida do freezer pra geladeira e depois deixo na varanda descongelando naturalmente. A papinha do neném termino de descongelar em banho-maria (minha conta de gás sempre vem no valor mínimo, então vale mais investir no gás do que na energia elétrica aqui em casa).

Peguei uma boa promoção de lâmpadas de LED e substituí quase todas as lâmpadas da casa. Valeu muito a pena, até a luminosidade da casa melhorou, mesmo com um gasto infinitamente menor.

Acumulo a roupa para ligar a máquina de lavar roupa o mínimo de vezes possível. Tento ligar a máquina com a mesma frequência que sempre liguei pois, ficando em casa, gasto menos roupa que antes, mas hoje em dia tenho as roupas do neném pra lavar. Tento compensar uma coisa com a outra.

Combato a ansiedade de "abrir a geladeira pra pensar". Além de engordar (rsrs...), abrir e fechar a geladeira toda hora também aumenta bastante o consumo de energia elétrica.

Alguns aparelhos eletrônicos, quando conectados à tomada, mesmo que desligados, continuam consumindo energia no modo stand by - como o microondas, por exemplo. Desconecte da tomada os aparelhos que não estiverem em uso no momento.

No mais, deixo janelas e portas abertas, ar circulando, menor consumo de ventiladores e ar condicionados. Meu chuveiro é elétrico, mas com a chegada do bebê não tenho tido o luxo de tomar banhos demorados, de modo que ele não é um fator que onere minha conta.

Por fim, passo as roupas todas uma vez por semana. O ferro de passar consome muita energia e o ideal é que ele seja ligado com a menor frequência possível.


3 - Renegocie contas de internet e telefone fixo

Seja sincera com o atendente e diga "estou desempregada e preciso baixar o valor dessa conta". Acredite: a maioria deles fará de tudo para te atender.
Recentemente fiz isso com minha operadora e, para a minha surpresa, descobri que meu plano havia sido descontinuado e que um plano com exatamente os mesmos benefícios estava custando nada mais nada menos que R$ 50,00 A MENOS do que eu estava pagando! Nem quis calcular quanto gastei desnecessariamente nesses últimos anos para não ficar triste... fechei o novo pacote com o novo preço - e os mesmos benefícios - e me dei por satisfeita.

Portanto, vale uma ligadinha para sua operadora. Vai que existe um pacote mais adequado às suas novas necessidades, custando metade do valor?


4 - Adquira uma SmartTV, crie uma conta no Netflix e dispense a TV a cabo

A TV a cabo no Brasil ainda é um serviço extremamente caro. Já uma assinatura no Netflix custa em média R$ 19,90 por mês e possui um conteúdo praticamente infinito! A criançada ama, pois tem o maior número de desenhos animados da moda. O que não tiver no Netflix, tem no bom e velho YouTube, disponível também nas SmartTVs.

Em pouco meses de economia com planos caríssimos de TV a cabo você terá o retorno financeiro pela compra da SmartTV.


5 - Fique atenta às promoções relâmpado da internet

Uma mãe em casa é uma mãe mais antenada na internet. Afinal, ninguém aguenta conversar somente com os bebês e, vez ou outra, damos uma escapadinha no Facebook ou Instagram. É lá que encontro dicas de ótimas promoções!
Dia desses eu estava procurando uma cadeirinha de automóvel para meu bebê e, graças ao Facebook, encontrei uma promoção relâmpago de 40% de desconto.
Mas atenção: não saia comprando tudo que vê pela frente somente porque está em uma super hiper mega promoção. Compre aquilo que realmente precisa. Lembre-se que o dinheiro da casa agora é contado e que supérfluos não são mais bem-vindos.


6 - Pesquisa de preço no supermercado

Se por um lado sua vida ficou mais corrida - afinal, cuidar da casa e do bebê não é uma tarefa nada fácil - por outro você tem mais tempo de se dedicar às tarefas domésticas, como ir ao mercado por exemplo. Faça pesquisas de preço do que você precisa, leve sempre sua listinha e compre somente o necessário para a semana. Evite desperdícios.
Mantenha em estoque o que estiver com um ótimo desconto, mas somente itens não perecíveis (como pasta de dente, papel higiênico e sabonetes, por exemplo).
Do setor alimentação, leve apenas os itens para consumo quase que imediato. Não compre frutas, verduras e legumes em excesso, pois eles correm o risco de ir para o lixo.


7 - Se possível, dispense algumas ajudas

Babá, ajudante, diarista, passadeira, cozinheira... bem, se você vai ficar em casa, é bem provável que tenha que pegar no batente dentro de casa. A não ser que seu marido tenha uma condição financeira que os permita bancar todas as ajudas possíveis.
Mas, ao contrário do que pensamos quando trabalhamos fora, é possível viver sem tantas ajudas. Dependendo do tamanho do seu apartamento e da quantidade de filhos que você tem, uma ajuda na faxina pesada 1x por semana já é o suficiente. Talvez uma passadeira de 15 em 15 dias também. Ah, mas e a comida? Dá pra se organizar, usar a ajuda do maridão aos fins de semana, e fazer um cardápio congelado semanal.
Gosto muito da página Vida Organizada, que ajuda inclusive a cuidar da casa sem tanto "sofrimento". No site tem uma sessão de cardápios semanais, para dar uma mãozinha.


8 - Use e abuse de grupos de desapegos

Os grupos de desapegos me ajudaram e MUITO a economizar. Os bebês perdem tão rápido as roupinhas que até hoje só adquiri peças semi novas mesmo.
Comecei dando uma pesquisada nas peças e preços, pois tem gente que não entende o conceito de desapego rs... depois de pesquisar o "mercado do desapego", consegui fazer ótimas compras para meu bebê. Desde roupinhas e sapatinhos, até brinquedos. Hoje já tenho minha listinha de boas fornecedoras, e é a elas que recorro quando preciso renovar o guarda-roupa do meu bebê.

Quanto às roupinhas que não cabem mais no meu bebê, confesso que prefiro doar. Mas se todos pensassem como eu, eu não teria acesso aos desapegos que adquiro pro meu bebê, então... VIVA OS GRUPOS DE DESAPEGOS ;)


9 - Pegue emprestado - mas empreste também

Precisa de um super hiper mega vestido baphônico para aquela festa? Pegue emprestado da sua irmã, mãe ou amiga.
Com a difusão dos grupos de desapegos, comecei a ver amigas vendendo peças a preço de banana que eu poderia perfeitamente usar. O que passamos a fazer? Agora oferecemos umas para as outras as peças sob forma de empréstimo ou, até mesmo, vendendo por um valor simbólico. Economizamos e contribuímos para a sustentabilidade do planeta.


10 - Procure passeios gratuitos na sua localidade

O Rio de Janeiro, apesar de violento, é uma cidade linda e cheia de atrativos gratuitos para os mais diversos gostos. O que não faltam são opções que agradem todos os bolsos - inclusive os vazios.
Atividades outdoor são as mais visadas, pelas belezas naturais da nossa cidade, mas também contamos com atividades indoor gratuitas ou bem baratinhas. As atividades vão desde pracinhas do bairro à praia, passando por museus e centros culturais. AQUI falei do Passaporte dos Museus Cariocas, que dá acesso gratuito através de um passaporte a 43 museus e centros culturais da nossa cidade. Vale a pena buscar o seu no posto mais próximo.

Uma dica importante neste tópico é: saia de casa de barriga cheia e uma garrafinha de água a tira colo. Muitas vezes um passeio gratuito te faz gastar uma nota com alimentação. Portanto, leve uma lancheirinha se quiser economizar de verdade. É mais saudável, mais barato e, muita vezes, mais higiênico também.


A cada escolha, uma ou muitas renúncias. Claro que parar de trabalhar possui uma série de implicações, e as financeiras costumam ser as mais complicadas de contornar. Mas dá pra modificar seu estilo de vida por outro sem tantos gastos - mas sem grandes perdas na sua qualidade de vida.

Tem mais alguma dica? Compartilhe conosco nos comentários :)


Vamos ao museu?

Mamães apegadas,

Trago uma ótima noticia: no dia 10 de julho de 2015, finalmente recomeçou a distribuição dos Passaportes dos Museus Cariocas! Eu estava louca atrás de um e finalmente consegui. É uma ótima programação com os pequenos.


Para quem não sabe do que se trata, vamos lá:

O Instituto Brasileiro de Museus, juntamente com a Prefeitura do Rio de Janeiro, lançaram um passaporte que dá direito a entrada 0800 nos mais importantes Museus e Centros Culturais da cidade (ao todo são 43).

As gratuidades são divididas por dias da semana. Em cada dia da semana, você pode visitar uma lista de museus e centros culturais gratuitamente. A cada visita, seu passaporte é carimbado, de modo que, se desejar retornar àquele museu, deverá pagar o ingresso. O passaporte expira em 31 de dezembro de 2015. Portanto, corra e adquira já o seu gratuitamente.

A maioria desses estabelecimentos são kids e babies friendly. Recentemente fomos a Casa Daros com nosso bebê e nos surpreendemos com a infraestrutura para ele. A Casa conta com fraldário e pode-se circular com o carrinho tranquilamente. No meio da exposição Jorge quis mamar e uma segurança gentilmente me ofereceu sua cadeira para que eu pudesse sentar e matar a fome do meu bebê.


Os locais de retirada dos Passaportes são:

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de março, 66 – Centro – Rio de Janeiro

Museu Aeroespacial
Av. Marechal Fontenelle, 2000 – Sucalap – Rio de janeiro

Museu da República
Rua do Catete, 153 – Catete – Rio de Janeiro

Museu Nacional de Belas Artes
Av. Rio Branco, 199 – Centro – Rio de Janeiro

Sítio Roberto Burle Marx
Estrada Roberto Burle Marx, 2.019 – Barra de Guaratiba

Museu Imperial
Rua da Imperatriz, 220 – Centro – Petrópolis, RJ


Detalhe do Passaporte 


Exemplo de Lista de Museus e CCs por dia da semana


Jorge na Casa Daros


Jorge mamando no Bistrô da Casa Daros


Jorge na área externa na Casa Daros



terça-feira, 7 de julho de 2015

Sobre as dificuldades e as delícias de amamentar - Precisamos falar sobre isso

Quem me conhece sabe que sempre sonhei em ser mãe. E tive a oportunidade de ver de muito perto toda gravidez da minha irmã, o nascimento da Antonia e a dolorosa amamentação.

Sim, muitas pessoas não sabem, mas muitas mães sofrem demais amamentando seus filhos. O bico do seio racha, sangra, o neném mama leite com sangue, a dor é rasgante e isso pode se estender por alguns meses – no caso da minha irmã, foram três meses de suplício e choradeira ao dar o peito. Isso me assustava... é claro que, como quase toda mulher, eu sempre quis amamentar. Mas dizia para minha irmã, quando a via tremer, suar, chorar e gritar de dor: “Se comigo for assim, eu não amamento. Não vou aguentar essa dor”.

Pois bem. O choque me fez me cercar de todas as informações possíveis sobre amamentação durante minha gravidez. A primeira coisa que fiz foi comprar tudo que tinha de mais atual relacionado à amamentação: pomadas importadas, conchas rígidas, Mamare, bombas extratoras de leite e, porque não, de mamadeiras diversas. Tudo que me diziam que ajudava a aliviar aquela dor absurda – e eu só conseguia me lembrar das lágrimas da minha irmã – eu comprava sem nem olhar o preço.

Um dia, comentando num grupo de wapp que meu maior medo, depois do parto, seria a amamentação, minha amiga Bel, então residente do Instituto Fernandes Figueira (o qual chamarei carinhosamente de IFF), me falou que o Banco de Leite do IFF era referencia em amamentação, e me sugeriu ir lá ainda grávida pegar algumas orientações. Como a grana tava curta e eu não tinha condições de pagar por um curso de amamentação (sim, isso existe e 90% das grávidas fazem um curso sobre isso), resolvi ligar para o IFF e descobri que as palestras eram dadas as quartas e quintas de manha. Anotei na minha agenda e lá fui eu.

Minha primeira impressão foi de desconfiança... lá eles diziam: “Amamentar não dói. Se está doendo, é porque a pega está errada. Usar pomadas só prejudica. A melhor amamentação e a mais indolor, é a mais natural: neném no peito. O leite materno é o melhor cicatrizante que existe”. Bem, alguma coisa não estava batendo naquela história toda... pensei: “Minha irmã é medica, já participou de orientação de amamentação, ela sabia como era a pega correta e, ainda assim, sofreu por longos três meses!”. Saí do IFF um pouco decepcionada e até mesmo desconfiada. Achei que eles estavam forçando uma barra para não desistirmos da amamentação, omitindo o real sofrimento que a amamentação trazia. Nesse momento eu estava no meu oitavo mês de gestação, prestes a ganhar meu filho.

Bem, em dezembro de 2014 meu pequeno veio ao mundo. A primeira mamada foi tensa: a enfermeira da maternidade trouxe meu bebê logo após o parto e o colocou próximo ao meu seio. Ajeitou a boquinha do meu filho no meu seio. Ele sugou. Aquela primeira sensação foi super engraçada. Estranha. E um pouco dolorida.

A orientação foi amamentar meu filho quando ele quisesse, de modo que eu não deixasse passar de 3h sem mamar. A segunda mamada foi um desastre: eu não conseguia colocar a boquinha do meu filho no meu seio sem ajuda. Tive que chamar a enfermagem e, com o auxilio deles, consegui fazer com que meu filho mamasse. Achei muito importante não receber visita nesse primeiro dia. Primeiro porque meu parto foi cesárea e eu não podia falar por conta dos gases. Segundo porque acertar as mamadas é muito, mas muito difícil. No primeiro dia eu precisei chamar a enfermagem em cada mamada, pois eu não conseguia fazer meu filho mamar sozinha, o que já causa uma certa frustração. Além do mais, haviam profissionais boas e profissionais ruins e enroladas na equipe. Em uma das mamadas eu ouvi que o problema era meu seio e que meu filho teria dificuldades em pegá-lo devido a sua anatomia. Depois chamei outra enfermeira que rapidamente conseguiu coloca-lo para mamar. Bem... não preciso nem dizer mais nada.

No segundo dia eu já conseguia posicioná-lo sozinha, porém, começou a arder. O bico estava assado, avermelhado, e pensei: “Ainda bem que eu trouxe minha pomada e minhas conchas! Vou usá-las”. Adiantou alguma coisa? Não. Nada.

No terceiro dia eu já tinha mais prática em colocar meu filho no seio, mas ardia demais... era o dia de ir pra casa. Bem, neste dia eu estava empolgada por estar finalmente com meu filho em casa, apresenta-lo ao seu quartinho e ao seu novo lar. A dor ao amamentar era grande e na madrugada parecia que essa dor era elevada ao cubo, devido ao cansaço. No dia seguinte, no quarto dia de vida do meu filho, eu vi que aquela dor já era mais do que eu poderia suportar...

Falei com minha mãe e irmã que eu não aguentava mais aquilo. Era muita dor, muito mais do que eu podia imaginar. Elas me acariciavam o rosto e diziam: “Vai passar, aguenta firme”. Meu marido, sem saber o que fazer, desabafou com sua família, que também tentou ajudar com conselhos que não adiantavam nada. Amigas diziam: “Dói mesmo, mas depois de um mês melhora...”. Que??? Um mês?? Eu não aguentaria mais UMA mamada do meu filho. Dizer que depois de um mês aquela dor passaria realmente não ajudava em nada, pelo contrario, só me fazia querer abandonar o quanto antes o projeto “amamentação”. Eu gritava, assustava meu filho, que acabava soltando meu seio e me fazendo sofrer mais ainda. Meus bicos já estavam sangrando e feridos. Cada abocanhada do meu filho era um urro de dor. Quando ele terminava de mamar eu dava graças a Deus e rezava pro tempo não passar, queria que aquelas 3 horas de intervalo entre mamadas passassem muito lentamente. Cadê aquela imagem linda da campanha da mulher feliz e serena amamentando?

No quinto dia de vida do meu filho eu me lembrei da palestra do IFF. “Amamentar não dói”. Eu não entendia, pois eu estava fazendo tudo conforme orientação das enfermeiras da maternidade, minha irmã olhou e também falou que a pega estava correta. Então liguei para o IFF como quem está cobrando uma satisfação. “Se me disseram que amamentar não doía, porque eu estou sofrendo tanto? Eles mentiram pra mim!”. Pelo sim, pelo não, liguei chorando e disse que precisava de ajuda, pois não aguentava mais aquela dor. Tirei um pouco de leite com uma bomba manual que eu tinha – doeu quase que igual, mas um pouco menos. Dei aquele pouco leite que consegui extrair para o meu filho e corri para o IFF com ele. Minha irmã, minha mãe e até mesmo meu marido acharam aquela atitude precipitada, pois meu filho ainda não tinha nenhuma vacina e eu estaria expondo ele a um ambiente contaminado. Bem, o Banco de Leite do IFF fica em uma área reservada, então a exposição não seria assim tão grande. Além do mais, aquela era a única chance que eu tinha de continuar amamentando...

Cheguei lá quase vencendo as 3h sem mamar do meu filho. Fui ficando tensa, pois ele ficaria com fome e eu me recusava a dar o seio, tamanha dor. Fui rapidamente atendida por duas enfermeiras carinhosas, que me acalmaram, fizeram perguntas, examinaram meus seios e disseram: “Essa pomada que vc está passando prejudica a pega. A boca do seu filho escorrega para o bico, é claro que assim vai te machucar”. Meu atendimento levou 1h. Elas me examinaram, comentaram particularidades do meu seio e da minha produção de leite e, enquanto me faziam perguntas e me instruíam, eu chorava derrotada, antes mesmo dele vir mamar. Elas me consolavam e diziam: “Calma, vai dar certo”. Enquanto isso, Ricardo aguardava lá fora ansioso.

Enfim chegou a hora de botar meu filho para mamar, após todo apoio que elas me deram. Elas pediram que eu o pegasse no colo. Eu tremia de medo... afinal, por melhores que fossem as instruções delas, meus seios já estavam em carne viva! Era obvio que iria doer e eu não queria mais passar por aquilo! Sem ter muita opção, confiei naqueles anjos que ajeitaram meu filho nos meus braços, ajeitaram meus seios e...pluft! Ele abocanhou SEM DOR ALGUMA. Descobri que antes eu até estava fazendo certo, mas faltando corrigir alguns detalhes, que fizeram TODA diferença. Eu tinha umas particularidades que somente especialistas conseguiriam detectar, em casa eu jamais acertaria completamente. Ou seja, eu PRECISAVA ter ido ao IFF. Meu filho mamou por longos 40min, incansavelmente – e com fome – sem doer absolutamente nada!! Chorei de alivio. Elas me deram as mãos e disseram que era por casos como o meu que tudo valia a pena. Saímos ao encontro do Ricardo: eu, meu filho satisfeito e os anjos que me ajudaram. Elas conversaram com ele e pude ver o alivio em seus olhos... voltamos pra casa muito felizes e aliviados.

As próximas mamadas foram ótimas. Eu segui as instruções do IFF, dentre elas algumas foram bem particulares para o meu caso, mas outras são bem gerais e posso compartilhar:

- O neném precisa abocanhar o máximo da parte inferior de auréola, e estar com os lábios virados para fora, tipo boquinha de peixe. Se os seios estiverem muito cheios, é necessário esvaziá-los um pouco antes de cada mamada para que o neném consiga abocanhar o máximo de aureola possível. Caso o neném fique mamando no bico, além de machucar horrores, ele não estimula a produção de leite o que, a médio prazo, acaba fazendo com que a produção diminua e, consequentemente, o leite “seque”.

- Pomadas como Lanidrat e Lansinoh não são cicatrizantes, são hidratantes. Causam um conforto instantâneo para a mãe, porém, prejudicam a pega do neném, pois sua boquinha escorrega para o bico e acaba machucando. Além disso, elas causam entupimento de ducto. Eu tive e doeu muito!

- A concha rígida, por melhor que seja sua higienização, mantem o seio úmido e pode causar fungo. Uma amiga teve e a dor era absurda, provavelmente até maior do que a dor da pega incorreta.

- Idem Mamare, pode causar fungo. No dia que estive lá, tinha uma moça com fungo devido ao Mamare e, nossa, eu não queria estar na pele dela...

- O bico de silicone na maior parte das vezes impede que o neném abocanhe grande parte da aureola. Com isso, ele pode não estimular corretamente a produção de leite.

- O melhor cicatrizante que existe é o conjunto Leite Materno + Sol. Isso mesmo. Nada de pomadas. Em dois dias meus seios estavam novos em folha, mas é preciso corrigir a pega, senão não adianta nada.

De madrugada, com o cansaço, a coisa desandou novamente. No dia seguinte eu estava desanimada, chorando novamente e sentindo dor. Juntei forças e liguei para o IFF novamente. Consegui novamente consulta para o mesmo dia e, dessa vez, fui atendida por uma enfermeira e uma psicóloga. Foram 2 horas de consulta. Recebi informações valiosíssimas! Claro que chorei novamente de medo, dor e, posteriormente, de alivio, uma vez que meu filho conseguiu mamar lá corretamente e não senti mais dor. Voltamos pra casa ainda mais confiantes e, de lá pra cá, tudo correu na mais perfeita ordem.

Por que expus isso aqui? Porque muitas mulheres, mas muitas mesmo, acreditam que essa dor é normal e vai passar naturalmente depois de um tempo. É isso que nossas amigas, mães, irmãs, sogras, e pessoas que, infelizmente não tiveram a orientação correta, nos dizem. Até pode ser que a dor passe sozinha, afinal, a boquinha dele vai crescendo e ele é esperto o suficiente para encontrar uma maneira de mamar que resulte em um maior fluxo de leite para ele – a posição correta. Mas talvez aí seja tarde demais. Pode ser que quando essa dor passar seu filho tenha mamado “errado” por tanto tempo que sua produção de leite já não esteja mais acompanhando seu crescimento, devido ao estimulo ineficiente. Pode ser que a dor seja tanta que você não consiga esperar passar e acabe optando pelo leite artificial na mamadeira. Pode ser que você fique regulando horário para amamentar seu filho devido à dor e, assim, ele não ganhe o peso que precisa. Enfim, podem ser tantas coisas... que eu precisava divulgar essa alternativa que nós temos, o IFF! Nem todas as cidades brasileiras contam com um Banco de Leite, então podemos dizer que somos privilegiadas por podermos contar com eles.

Conheço sim alguns casos em que o IFF não foi eficaz em resolver. Mas passei a conhecer MUITO mais casos de sucesso. Nem todos os problemas são de pega, existem diversos tipos de dificuldades que surgem nesse processo confuso que é a amamentação, e no IFF encontrei anjos capacitados técnica e emocionalmente para ajudar.

Sei que muitas dificuldades ainda podem surgir na amamentação do Jorge, e muitas provavelmente surgirão na amamentação de meus próximos filhos. Mas só de saber que podemos contar com o IFF, fico aliviada e confiante.

Moral da historia: não sofra desnecessariamente. Não gaste dinheiro com artefatos para amamentação. O IFF não mentiu para mim quando disse que a amamentação mais natural seria a menos sofrida.

E finalmente deixo aqui todo meu respeito a todas as mães: as do leite materno e as do leite artificial. As da cesárea, as do parto normal e as do parto natural. Só quem é mãe sabe o quão dolorido e frustrante é esse caminho louco que percorremos, mas que fazemos com gosto e muito amor.

Um beijo,
Mãe do Jorge.


Amamentando o Jorge, já com seus seis meses na foto <3

Sobre visitas na maternidade

Recentemente a atriz Deborah Secco deu uma entrevista informando que não quer receber visita logo após a chegada de sua cria. Isso está gerando certa polêmica. O que eu penso sobre isso?

Muita gente diz que receber visita na maternidade é melhor do que em casa. Concordo. Até porque o Jorge me deu muito, mas muito trabalho em casa até os três meses de vida (vou escrever um post sobre isso) e receber os amigos e familiares na maternidade foi a melhor opção.

Mas hoje, passada toda turbulência, tenho algumas observações a fazer sobre o assunto.

A primeira é: seu parto será uma cesárea agendada? Se sim, você terá que ficar pelo menos 12h sem falar para não ter problema com os gases - e eles doem mais do que a própria cesárea. Logo, receber visita no primeiro dia não é legal, pois você não vai poder falar, estará muito cansada e aérea com o novo bebê que chegou.

Ainda neste primeiro dia, tendo parto cesárea ou vaginal, preciso alertar uma coisa: a amamentação é SUPER confusa nesse início. É preciso a ajuda de enfermeiras para simplesmente colocar o neném no peito, de modo que receber visitas nesse dia só atrapalha. Acho que eu precisei da ajuda de enfermeiras durante toda minha estadia na maternidade, e depois ainda precisei ir ao Fernandes Figueira - deu pra sentir que não é fácil, né? Mas nada se compara a dificuldade das primeiras mamadas. Muitas vezes o neném não suga por não saber que precisa sugar. É necessário fazer uma estimulação com o dedo para que ele entenda. Muitos são os imprevistos que podem acontecer nessa área... Eu, que ganhei meu filho num dia 26, às 6:20 da manhã, só recebi visitas a partir do dia 27, de modo que tive todo o dia 26 pra "aterrizar" no planeta Terra rs...

Então minha dica é: não receba visitas no primeiro dia. Independente de sua escolha de parto. Se situe primeiro com seu neném, com a amamentação. Fique com as pessoas realmente importantes e indispensáveis pro momento, pra você e para o seu marido: seus pais, irmãos, cunhados e sogros.

Vinte e quatro horas após o parto você já estará mais dona da situação e pronta para receber as visitas.

Dizem que não é legal visitar um neném na maternidade levando crianças. Acho que se a criança não estiver gripada (e essa regra vale pra todos, crianças ou adultos), e se forem obedientes (afinal, é um hospital e gritaria não é bacana), não tem problema algum. Eu recebi dois fofos que aposto que adoraram a experiência de ver um bebê tão pequeno! E eu adorei vê-los.

Por conselho e prescrição do pediatra, eu deixei meu pequeno dormir no berçário durante as duas noites para que eu pudesse estar recuperada para receber bem as visitas. Hoje em dia EU me arrependo. Pode ser bobeira minha (e minha irmã tem certeza que é, rsrs...), mas se meu filho passou nove meses na minha barriga, por que eu não o acolhi em suas primeiras noites fora dela? Dizem que o amor incondicional muitas vezes chega aos poucos, e acho que todo o estresse da situação me fez não pensar direito no que eu estava fazendo. Além do mais, durante o dia eu tinha o livre acesso das enfermeiras ao quarto, e durante a noite o acesso não seria tão simples assim, de modo que minha insegurança me ajudou a tomar essa decisão (afinal, eu ainda precisava das enfermeiras pra amamentar). Só sei que hoje em dia meu filho dormiria comigo no quarto, e se eu não estivesse bem para receber as visitas, falaria na boa. Até porque só recebi gente muito querida, que facilmente me entenderia.


Mas o importante mesmo dessa história toda é: faça o que seu coração mandar. Todos que nos visitaram na maternidade fariam muita falta se não fossem. São todos muito queridos e foram extremamente carinhosos, nos trazendo mimos para nosso pequeno e alegria ao meu dia. Não me arrependo de tê-los recebido e faria tudo de novo!


A mãe que eu queria ser

Como quase toda gestante, eu li muito durante minha gestação e meu livro preferido era o das crianças francesas. Já imaginou que maravilha ter um bebê que dorme a noite inteira já nos primeiro dia de vida? Além do mais, tenho uma sobrinha-quase-filha e sempre observei muito e participei bastante de sua criação. Mas, apesar disso, a mãe que eu queria ser – ou a mãe que eu achava que seria – no fim das contas não foi nada do que eu havia planejado.

Vou dar um exemplo prático: Sempre condenei cama compartilhada (o bebê dormir na mesma cama que os pais). Onde já se viu? Onde fica a privacidade do casal? Mas todas as minhas certezas foram por água abaixo quando vi que era mãe de um bebê high need. O que é um bebe high need? Farei um post exclusivo sobre isso, mas como o próprio nome sugere, trata-se de um bebê de alta demanda. Daqueles que não se contentam com pouco, sabe? Rs... querem muito colo, o cheiro da mãe, amam mamar, não se distraem com coisas, preferem ficar próximo a pessoas, e por aí vai. Até os três meses de vida do Jorge, era eu quem não tinha vida. Dormia sentada na cadeira de amamentação com ele pendurado. Foram períodos muito difíceis para uma mãe “cheia de certezas” como eu.

Foi quando decidi abandonar minhas certezas e ser a mãe que meu filho precisava. Minha vida mudou da água pro vinho. Por que ele precisa, tão pequeno, aprender a ficar no berço, se ele chora tanto querendo ficar comigo? Por que preciso deixá-lo chorando no carrinho, se estou disponível ao lado dele, podendo dar colo?

Comecei minha mudança de paradigmas comprando um sling. Isso mesmo, aquela coisa de índia, de “mãe-pode-crer”. Virei uma dessas. Andava com meu filho pendurado pra cima e pra baixo e, confesso: por muitas vezes o sling permitiu que eu almoçasse.

Depois comprei uma grade pra cama. Um passo ENORME para mim. Eu precisava dormir fora da cadeira de amamentação (a minha cadeira era improvisada e eu acordava com o pescoço todo duro), de modo que fazer cama compartilhada salvou minhas noites. “Mas e a privacidade do casal?”. Não quero parecer criativa demais, mas sério, gente, quem precisa de uma cama pra isso? Um casal de namorados faz até no teto, por que eu e meu marido precisaríamos da cama, se um dia já fomos namorados? Tem chão, sofá, banheiro, bancada de pia... ah, deixa a imaginação fluir que esse problema já não vira mais um problema.

Além do mais, de que adianta ter nossa cama todinha pra nós se, antes da cama compartilhada, eu era capaz de dormir em pé de tanto cansaço? Quer anticoncepcional mais eficaz do que uma mãe com sono? Sem duvida, praticar a cama compartilhada melhorou e MUITO o nosso relacionamento como casal.

Depois comprei um Ergobaby usado, e ali eu praticamente decretava o fim do carrinho. Ficar horas no shopping esperando o elevador pra mudar de andar com o carrinho? Nunca mais. Bebê no Ergobaby, mamãe e bebê muito mais felizes, coladinhos, se amando fortemente.

Finalmente, tomei a decisão de dar um tempo no trabalho. Isso mesmo. Eu, que trabalhei duro até parir, que já tinha em vista a creche que meu filho iria frequentar quando eu voltasse ao trabalho, tomei a decisão de estender um pouco mais minha licença e ficar com ele mais uns meses em casa. Tudo porque eu não conseguiria me separar dele com cinco meses de vida. Peguei muita gente de surpresa, foi uma PUTA quebra de paradigma pra mim (talvez a mais séria de todas), mas depois da decisão tomada, foi um alívio indescritível pra mim. Sensação de ter tomado a decisão correta, sabem? 

Claro que nem todos os bebês são como o meu Jorge. Conheço bebês muito mais tranquilos e que, desde que saíram da maternidade, aceitam numa boa dormir longe da mãe. Cada bebê é um e, o que funcionou pra nós, naturalmente pode não funcionar pra outros.

Mas o que eu quero dizer com todo esse post?

Que a mãe que eu queria ser – ou a mãe que eu achava que seria – foi por água abaixo. Meu filho literalmente me ensinou a ser mãe. Na realidade, eu costumo dizer que somos exatamente as mães que nossos filhos precisam.

Prova disso é que a minha mãe não é a mesma mãe pros meus irmãos, por exemplo. Cada filho tem sua demanda. Meu filho me ensinou a ser uma mãe exclusiva, muito mais amorosa do que eu pensei que seria. Meu filho me ensinou a criação com apego – de todas as teorias que eu li durante a gestação, curiosamente essa havia sido a única que eu não tinha lido. Eu sou a mãe que meu filho me ensinou a ser. Abandonei minhas certezas, mordi minha língua, mas sou muito mais feliz assim.

A maternidade precisa ser mais leve. Abra mão de suas certezas, se permita ser feliz acima de tudo. Fará bem pra você, pro seu bebê e pra sua família. Fazemos tantos planos antes de conhecer nossos filhos... que muitas vezes ficamos frustradas. O melhor mesmo é admitirmos que fazemos nosso melhor, sempre. E que julgar é humano, mas se arrepender também.

E se você cuspiu pro alto? Deixe cair bem no meio da testa e dê gargalhadas. J

Eu e Jorge, agarradinhos <3