domingo, 17 de janeiro de 2016

O importante papel do pai no puerpério

Pra quem pensa que o pai é deixado de lado nos primeiros dias de vida do bebê, eu digo com toda certeza do mundo: você está redondamente enganado.

Eu diria que, até os quinze dias de vida do bebê, o pai tem tanto trabalho quanto a mãe. Após esse período, tudo vai depender da dinâmica da casa.

Ora, mas como o pai pode ajudar nos primeiros dias? Vamos lá, eu explico.

Quando o casal chega em casa com o bebê, aquele serzinho tão íntimo, mas ao mesmo tempo tão estranho, mil e uma dúvidas passam pela cabeça da nova mamãe do pedaço.

"Qual é o melhor horário pra dar banho?"
"Troco fralda antes ou depois da mamada?"
"Dou banho antes ou depois da mamada?"
"O álcool 70 vai a cada troca de fralda?"
"Aonde passo a pomada anti assaduras?"

Todas as ações mais simples se tornam verdadeiros eventos nos primeiros dias, pelo fato de tudo ser novidade. Trocar fralda nos primeiros dias de vida não é algo automático, é algo que demanda muita atenção, estudo, inseguranças. De modo que um pai que "só troca fralda", na realidade está fazendo muito pela família (digo pela família, e não pela mãe, pois acredito que a tarefa de cuidar do bebê e da casa é dos pais, e não apenas da mãe).

Já a mãe precisa de foco para amamentar. Precisa sentar-se na cadeira, encontrar uma posição confortável, ajustar a almofada, apoiar os pés, ajeitar a cabecinha do neném, ajustar a pega, ufa. São muitos detalhes que não acontecem de maneira automática. Quando o neném finalmente abocanha, ui, muitas vezes vem A DOR da pega errada. A mamãe precisa tirar o bebê, esquecer o mundo, ajeitar o neném e começar tudo de novo, muitas vezes com um neném já faminto e impaciente. Meu marido precisou ajeitar Jorge no meu seio em cada mamada, inclusive as da madrugada - quando parecia que tudo desandava e o cansaço tomava conta. Sem ele para me apoiar e levar ao Fernandes Figueira naquele início extremamente doloroso (leia meu relato de amamentação aqui), Jorge não teria sido amamentado exclusivamente até os seis meses de vida. Nunca vou me esquecer de seu olhar aliviado ao me ver sair do Banco de Leite do IFF com o Jorge nos braços dizendo: "Nós finalmente conseguimos".

Mesmo nas madrugadas, a mãe precisa de companhia. Um pai que levanta com a mãe nos primeiros dias para trocar a fralda do neném, providenciar a água e dar apoio moral, principalmente caso ela esteja com alguma dificuldade nesse início confuso e doloroso que é a amamentação, é de fato um paizão e um maridão. Cinco estrelas pra ele.

A mãe precisa se alimentar. Precisa se hidratar. Precisa de alguém que a lembre disso e a ajude com essas tarefas. Um pai pode buscar o copo d'água enquanto ela amamenta, pode preparar a comida da casa, pode fazer as compras, pode providenciar frutas para o lanche, descascar uma banana, tirar os caroços de um mamão, se certificar de que a mãe esteja sendo bem alimentada e hidratada.

Nos primeiros dias pode ser muito difícil para a mãe dar o banho no bebê, principalmente se ela tiver se submetido a uma cesárea. De modo que o super papai muitas vezes fica responsável pelos banhos do neném. Bate aquele medo de entrar água no ouvido, de não secar direito cada dobrinha e assar, de entrar sabonete no olho (mesmo os sabonetes de neném sendo feitos especialmente para não arder), do coto cair... onde temos uma mãe insegura, também temos um pai inseguro.

O pai pode prover o descanso para a mãe. Pode dizer: "Descansa, deixa o nosso bebê comigo, que eu te chamo quando ele quiser mamar". O pai pode proteger a casa e pedir para a família e os amigos deixarem as visitas mais pra frente. O pai pode segurar a mão da mãe enquanto ela chora segurando seu neném para fazer o teste do pezinho...

E neste contexto de dúvidas e inseguranças, nasce uma cumplicidade jamais antes vista no casal. A mãe que vê seu marido como um verdadeiro companheiro nessas horas, sem dúvidas fica ainda mais apaixonada pelo homem que escolheu para o pai de seu filho.

É por isso que eu vejo com muita tristeza essa pífia licença paternidade que temos hoje. Ela prejudica imensamente as mães puérperas, principalmente aquelas que não possuem uma irmã ou uma mãe morando perto. É cruel, é desumano. Meu marido juntou licença paternidade, férias, folgas, emendou feriados, fez o possível e o impossível para ficar comigo, para ficar conosco. Além de um super pai, vi nele um super homem, um super marido.

Então aproveito o post de hoje para fazer uma surpresa e desejar a ele um FELIZ ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO. Sim, hoje, 23 de julho de 2015, completamos quatro anos de casados. Até o ano de 2013, eu dizia que estar com ele era meu melhor presente. Desde 2014 eu digo que o Jorge, nosso pequeno amado, é de fato o nosso melhor presente.

Ao Ricardo, meu muito obrigada pela década de cumplicidade, amor e amizade. Todo meu amor e minha admiração pelo homem, marido e pai que você é.

Hoje o post foi diferente. Não tinha como não ser um post mais pessoal.

Então o complemento com algumas fotos que me inundam de felicidade no dia de hoje.



Dia 23 de julho de 2011

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Ensaio gravidez

Dia 26 de dezembro de 2014

Dia 26 de dezembro de 2014








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