sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Desabafo de uma mãe sobre o filho que não come

Quem aí teve uma introdução alimentar difícil, por favor, me dê as mãos.


Eu, que sempre preguei a importância de trabalharmos a empatia com nossos bebês, hoje pedi por empatia no auge do meu desespero. 

Não vou me explicar muito... vou colar direto aqui o texto que enviei para umas amigas: 

"Venho dizer que eu desisto de dar comida para o meu filho (1a1m).
Desde os 6m eu tento de tudo e ele simplesmente não come. Já tentei BLW por algumas semanas, foi comida pra todos os lados, menos pra boca. Não tenho ajudante, não posso me dar esse luxo, foi puro estresse.
Já tentei com Galinha pintadinha, peppa, bita, mickey e nada.
Já deixei em jejum de peito o dia todo e nada.
Já tentei dar com minha mão, já dei amassado, em pedaços, legumes em palito, com garfo, com colher, de todas as formas. E hoje renuncio. Quer peito? Vai ficar só no peito. Até sei lá 15 anos. Cansei.
Detalhe: com a minha mãe ele bate um pratão. Na cadeirinha, no carrinho, seja a comida dela ou a minha comida. Tenho ido nela todo dia na hora do almoço pra ele comer. Levo a mesma comida que eu ofereço diariamente e, com ela, ele come, de modo que o problema também não é o gosto da minha comida (canso de ouvir piadinhas sobre isso).
Com minha irmã ou meu marido ele come um pouco, mas não se compara ao que come com minha mãe. Mas sinceramente, acho que o problema dele sou eu.
Fruta ele deu pra só comer manga e goiaba. Beleza.
Eu só dava piti pra ele comer até uns 8m, desde então eu chutei o balde, ofereço comida e frutas nos horários certinhos, ele recusa, eu não forço. Bola pra frente. Afinal, até um ano o leite é o principal alimento, não é isso que dizem? De modo que não podemos dizer que ele se recusa a comer comigo porque eu o estresso bla-bla-bla (essas coisas que matam de ódio qualquer mãe de filho que não come: "ele não come contigo porque você se estressa, etc etc" --> NÃO, NÃO É O CASO).
Simplesmente comigo ele não aceita comer. Mas pior que não comer é que ele dá tapas na primeira colherada, suja a sala inteira e, além do trabalho ENORME que tenho de preparar a comida (sou vegetariana, então imaginem a quantidade de legumes gostosinhos que eu preparo), depois tenho que limpar sala, cadeirão, minha cadeira, sem ele ter posto pra dentro UMA GRAMA de comida. Eu pareço uma louca com a colher ou a mão fugindo dos tapas dele. Cada colherada pra dentro é super comemorada. E normalmente a colherada que entra é quando ele abre a boca pra tentar morder algum brinquedo... Porque abrir a boca pra colher, jamais.
Ele tem rotina. Ele não senta pra comer com sono, normalmente está bem descansado nos horários das refeições. Eu ofereço a comida do meu prato - até porque já desisti de fazer um prato só pra ele.
Passo o dia todo sozinha com ele, não tenho ajudante, faço tudo da casa sozinha. E ele ainda acorda em média 6 a 9 vezes por noite.
Eu sempre fui super empática com meu filho. Não forço a barra para ele comer. Sempre deixei tranquilamente no peito, mas ele já fez um ano e não posso mais repetir o mantra "até um ano o leite é o principal alimento do bebê". Preciso de um abraço."


Obviamente eu estava bem cansada quando enviei esse desabafo e, depois dele, já tentei dar a janta do meu filho novamente - sem sucesso também. A gente faz essas "promessas" de jogar tudo pro alto e não consegue (ainda bem né!).


Eu não forço a barra pra ele comer. Levo tudo num relax. Não comeu? Não tem problema. Tem o peito. 

Hoje, mesmo tendo desabafado, não deixei transparecer minha frustração por ele não comer. Não quero que a refeição vire um problema. Mas às vezes simplesmente me sinto cansada.

E por que eu decidi compartilhar esse desabafo em um blog de apego? Porque eu sou mãe. Sou humana. Tenho minhas falhas, meus cansaços, meus desabafos. A maternidade não é um conto de fadas. Temos nossos momentos de querer jogar tudo pro alto. Mas sempre voltamos pro eixo. É só olhar pros olhinhos dos nossos bebês, que vemos que tudo faz sentido, mesmo depois de uma colherada de feijão jogada pro alto.

E recebi tantos abraços com esse texto. Mais do que dicas óbvias - as quais já tentei todas - às vezes eu só preciso de um abraço. De alguém que diga: Eu te entendo. E foi isso que eu recebi com o meu desabafo.

Que esse texto console mais alguma mamãe que esteja passando por bocados complicados no quesito Introdução Alimentar. Dessa vez não vim dar dicas... só quero dizer: eu te entendo. E vai passar. Eu sei que vai passar. E ainda vamos rir muito disso, rs... não tenho dúvidas!

Um beijo,
A mãe apegada.

Um comentário:

  1. Obrigada por esse maravilhoso texto! Me vi em cada linha dessa,estou passando por isso tem dias q penso q vou endoidar.

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