terça-feira, 7 de julho de 2015

A mãe que eu queria ser

Como quase toda gestante, eu li muito durante minha gestação e meu livro preferido era o das crianças francesas. Já imaginou que maravilha ter um bebê que dorme a noite inteira já nos primeiro dia de vida? Além do mais, tenho uma sobrinha-quase-filha e sempre observei muito e participei bastante de sua criação. Mas, apesar disso, a mãe que eu queria ser – ou a mãe que eu achava que seria – no fim das contas não foi nada do que eu havia planejado.

Vou dar um exemplo prático: Sempre condenei cama compartilhada (o bebê dormir na mesma cama que os pais). Onde já se viu? Onde fica a privacidade do casal? Mas todas as minhas certezas foram por água abaixo quando vi que era mãe de um bebê high need. O que é um bebe high need? Farei um post exclusivo sobre isso, mas como o próprio nome sugere, trata-se de um bebê de alta demanda. Daqueles que não se contentam com pouco, sabe? Rs... querem muito colo, o cheiro da mãe, amam mamar, não se distraem com coisas, preferem ficar próximo a pessoas, e por aí vai. Até os três meses de vida do Jorge, era eu quem não tinha vida. Dormia sentada na cadeira de amamentação com ele pendurado. Foram períodos muito difíceis para uma mãe “cheia de certezas” como eu.

Foi quando decidi abandonar minhas certezas e ser a mãe que meu filho precisava. Minha vida mudou da água pro vinho. Por que ele precisa, tão pequeno, aprender a ficar no berço, se ele chora tanto querendo ficar comigo? Por que preciso deixá-lo chorando no carrinho, se estou disponível ao lado dele, podendo dar colo?

Comecei minha mudança de paradigmas comprando um sling. Isso mesmo, aquela coisa de índia, de “mãe-pode-crer”. Virei uma dessas. Andava com meu filho pendurado pra cima e pra baixo e, confesso: por muitas vezes o sling permitiu que eu almoçasse.

Depois comprei uma grade pra cama. Um passo ENORME para mim. Eu precisava dormir fora da cadeira de amamentação (a minha cadeira era improvisada e eu acordava com o pescoço todo duro), de modo que fazer cama compartilhada salvou minhas noites. “Mas e a privacidade do casal?”. Não quero parecer criativa demais, mas sério, gente, quem precisa de uma cama pra isso? Um casal de namorados faz até no teto, por que eu e meu marido precisaríamos da cama, se um dia já fomos namorados? Tem chão, sofá, banheiro, bancada de pia... ah, deixa a imaginação fluir que esse problema já não vira mais um problema.

Além do mais, de que adianta ter nossa cama todinha pra nós se, antes da cama compartilhada, eu era capaz de dormir em pé de tanto cansaço? Quer anticoncepcional mais eficaz do que uma mãe com sono? Sem duvida, praticar a cama compartilhada melhorou e MUITO o nosso relacionamento como casal.

Depois comprei um Ergobaby usado, e ali eu praticamente decretava o fim do carrinho. Ficar horas no shopping esperando o elevador pra mudar de andar com o carrinho? Nunca mais. Bebê no Ergobaby, mamãe e bebê muito mais felizes, coladinhos, se amando fortemente.

Finalmente, tomei a decisão de dar um tempo no trabalho. Isso mesmo. Eu, que trabalhei duro até parir, que já tinha em vista a creche que meu filho iria frequentar quando eu voltasse ao trabalho, tomei a decisão de estender um pouco mais minha licença e ficar com ele mais uns meses em casa. Tudo porque eu não conseguiria me separar dele com cinco meses de vida. Peguei muita gente de surpresa, foi uma PUTA quebra de paradigma pra mim (talvez a mais séria de todas), mas depois da decisão tomada, foi um alívio indescritível pra mim. Sensação de ter tomado a decisão correta, sabem? 

Claro que nem todos os bebês são como o meu Jorge. Conheço bebês muito mais tranquilos e que, desde que saíram da maternidade, aceitam numa boa dormir longe da mãe. Cada bebê é um e, o que funcionou pra nós, naturalmente pode não funcionar pra outros.

Mas o que eu quero dizer com todo esse post?

Que a mãe que eu queria ser – ou a mãe que eu achava que seria – foi por água abaixo. Meu filho literalmente me ensinou a ser mãe. Na realidade, eu costumo dizer que somos exatamente as mães que nossos filhos precisam.

Prova disso é que a minha mãe não é a mesma mãe pros meus irmãos, por exemplo. Cada filho tem sua demanda. Meu filho me ensinou a ser uma mãe exclusiva, muito mais amorosa do que eu pensei que seria. Meu filho me ensinou a criação com apego – de todas as teorias que eu li durante a gestação, curiosamente essa havia sido a única que eu não tinha lido. Eu sou a mãe que meu filho me ensinou a ser. Abandonei minhas certezas, mordi minha língua, mas sou muito mais feliz assim.

A maternidade precisa ser mais leve. Abra mão de suas certezas, se permita ser feliz acima de tudo. Fará bem pra você, pro seu bebê e pra sua família. Fazemos tantos planos antes de conhecer nossos filhos... que muitas vezes ficamos frustradas. O melhor mesmo é admitirmos que fazemos nosso melhor, sempre. E que julgar é humano, mas se arrepender também.

E se você cuspiu pro alto? Deixe cair bem no meio da testa e dê gargalhadas. J

Eu e Jorge, agarradinhos <3

2 comentários:

  1. i Sil! Blog novinho, que beleza!

    Tenho acompanhado seus compartilhamentos e posts no facebook sobre maternidade e fico surpresa ( e contente) por perceber que pensamos de forma muito parecida!

    Me identifique bastante com esse post aqui, mesmo sem ainda ter filhos. Ultimamente, pelos planos de logo ter um BB, me vejo repensando muitas coisas e tendo que lidar com vários pré-conceitos meus!

    Preciso trabalhar insanamente e fazer mil coisas para me sentir realizada? Ficar em casa de licença me fará menos independente e produtiva? Como lidar com o fato de sentir vontade de me dedicar a algo que não seja ligado ao trabalho, atividades acadêmicas e etc?

    Essas dúvidas já batem desde agora, pois a Patricia que percebo que serei como mãe não tem NADA a ver com o que planejei e em alguns pontos até mesmo oposta.

    Vai ser o máximo te acompanhar e aprender novas perspectivas aqui!

    Boa sorte e beijos!!

    Pati Guerra

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    1. Oi, Pati !
      Que legal seu comentário.
      Notei que pensamos parecido na última vez que conversamos. A vida é assim, cheia de surpresas!
      Espero que goste. A ideia do blog é ser um espaço dedicado a maternidade, pra que meu perfil do facebook não seja tomado desse assunto. Afinal, nem todos os meus amigos estão interessados nisso né? Rs...
      Ao passo que, o blog, lê quem quer.
      Que bom que te vejo por aqui.
      Beijão!

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